Pesquisa do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), realizada com 10.001 moradores de 18 favelas do Rio de Janeiro, mostra que 89,9% dos entrevistados percebem aumento da população nas comunidades onde vivem e 81,6% apontam expansão das áreas ocupadas. O levantamento também revela que cerca de 68% das favelas cadastradas na cidade permanecem sem urbanização estruturada.
Intitulada Novos Olhares sobre as Transformações Urbanas nas Favelas, a pesquisa foi realizada em duas etapas, entre 2022 e 2023 e entre 2025 e 2026. Além das entrevistas, os pesquisadores promoveram rodas de conversa para reunir relatos dos moradores.
Entre os moradores antigos ouvidos, 51,7% afirmam que obras previstas por antigos programas de urbanização não foram concluídas integralmente. Apesar disso, 76,5% avaliam que essas iniciativas contribuíram para ampliar direitos, principalmente em áreas como mobilidade, abastecimento de água, saneamento, habitação, iluminação pública e coleta de lixo.Falta de acesso a serviços básicos
O abastecimento de água é um dos principais problemas apontados pelo levantamento. Embora 79,6% reconheçam melhorias promovidas pelos antigos programas de urbanização, 49,1% dizem que ainda existem moradores sem acesso adequado à água.
Além disso, 36,9% afirmam que o abastecimento não ocorre diariamente e 28,9% relatam problemas relacionados à qualidade da água.
A mobilidade também aparece entre os principais desafios: 90% dos entrevistados dizem que ainda são necessárias melhorias para garantir esse direito. Apenas 5,6% perceberam avanços na acessibilidade para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
Na saúde, 62,4% identificam moradores sem acesso adequado ao serviço. Na educação infantil, 62,1% apontam a existência de crianças sem acesso a creches ou pré-escolas.
Em algumas comunidades, os índices são ainda maiores. Em Parque Conquista e Vila Moretti, 83,4% dos entrevistados apontam falta de acesso à educação infantil. No Salgueiro, o índice chega a 82%, e no Parque João Goulart, a 78,4%.
Obras não foram concluídas
A percepção de que intervenções anunciadas não foram totalmente executadas é mais forte em algumas das comunidades pesquisadas. Em Parque Unidos, 84% dos entrevistados afirmam que as obras não foram concluídas integralmente. O índice é de 72% no Chapéu Mangueira, 66% na Babilônia, 65,7% no Parque João Goulart e 65% no Morro da Coroa.
Segundo dados do Sistema de Assentamentos de Baixa Renda (SABREN), do Instituto Pereira Passos (IPP), citados no estudo, o Rio tinha 1.072 favelas cadastradas em 2022. Dessas, 159 eram consideradas urbanizadas e 114, parcialmente urbanizadas.
Com base nesses dados, o Ibase aponta que aproximadamente 68% permaneciam sem urbanização estruturada.
O estudo será lançado nesta terça-feira (18), às 17h, no Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, no Centro.








