A poucos dias do primeiro turno, marcado para este domingo, 4 de outubro, a pesquisa Gerp Mercadologia traça um retrato detalhado do eleitorado fluminense. O levantamento, realizado entre 29 e 30 de setembro, ouviu 1.200 eleitores por telefone e tem margem de erro de 2,9 pontos percentuais, com nível de confiança de 95,55%. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número RJ-02100/2026.
Os números consolidam a tendência apontada por outros institutos na reta final. O Datafolha, divulgado em 24 de setembro, já havia mostrado Eduardo Paes (PSD) com 43% e Douglas Ruas (PL) com 30%. O levantamento da Atlas/Estadão, de 29 de setembro, registrou 44,1% e 35,7%, respectivamente. A pesquisa Gerp, porém, traz um detalhes técnico importante: a vantagem de 8 pontos percentuais entre os dois primeiros colocados é estatisticamente significativa, o que indica estabilidade na liderança.
A disputa pelo Palácio Guanabara
No cenário estimulado para governador, Eduardo Paes lidera com 42% das intenções de voto, seguido por Douglas Ruas, com 34%. Anthony Garotinho (Republicanos) aparece em terceiro, com 8%, enquanto William Siri e Coronel Busnello somam 2% cada e André Marinho registra 1%. Os votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, mostram Paes com 47% e Ruas com 38%.
A leitura dos números indica que o ex-prefeito do Rio mantém posição confortável, mas a distância para Ruas se reduziu ao longo da campanha. No início de setembro, o Datafolha apontava diferença de 18 pontos; agora, a vantagem oscila entre 8 e 13 pontos, conforme o instituto. A tendência de crescimento do candidato do PL é confirmada pelo recorte por segmentos: Ruas lidera entre homens, com 40%, e alcança 43% na faixa de renda entre 1 e 2 salários mínimos.
Paes, por sua vez, concentra forças entre o eleitorado mais maduro e entre as mulheres. Entre os eleitores com 60 anos ou mais, o candidato do PSD marca 48%, e entre as mulheres chega a 45%. No voto espontâneo, quando o eleitor cita o nome sem estímulo, Paes aparece com 26% contra 15% de Ruas, diferença de 11 pontos que reforça a liderança.
O cenário presidencial no estado
A pesquisa também mediu a disputa presidencial no eleitorado fluminense. Flávio Bolsonaro lidera com 44% das intenções de voto, contra 37% de Lula, diferença de 7 pontos percentuais, também significativa. Nos votos válidos, o placar é de 48% a 40%. Ronaldo Caiado aparece com 4%, enquanto Renan Santos e Augusto Cury somam 3% cada.
O recorte por segmentos revela a força do bolsonarismo no Rio. Flávio Bolsonaro marca 53% entre homens e dispara para 58% na faixa de renda entre 10 e 20 salários mínimos. Lula, por outro lado, lidera entre as mulheres, com 40%, e entre os eleitores mais jovens, alcançando 52% na faixa de 16 a 24 anos. O estado se confirma como um dos redutos mais favoráveis ao campo bolsonarista no país.
A corrida pelas duas vagas ao Senado
No Senado, a disputa pelas duas vagas em jogo apresenta um cenário mais fragmentado. Benedita da Silva (PT) lidera com folga, somando 45% na soma dos dois votos, o primeiro e o segundo. Carlos Portinho aparece com 27%, seguido de perto por Carlos Jordy, com 24%. Pedro Paulo soma 20% e Marcelo Crivella, 19%, enquanto Monica Benicio registra 13%.
No primeiro voto, Benedita dispara com 35%, muito à frente de Jordy, que marca 18%, e Portinho, com 12%. No segundo voto, porém, o cenário se inverte: Portinho aparece com 15%, Pedro Paulo com 12%, e Benedita, Monica Benicio e Crivella empatam com 10% cada. A leitura é clara: a primeira vaga tende a ser de Benedita, mas a segunda está em aberto.
A disputa pela segunda cadeira é o ponto mais volátil da eleição. Portinho e Jordy estão separados por apenas 3 pontos na soma dos votos, diferença acima do valor crítico de 2 pontos, mas ainda dentro de uma margem que permite movimentação. Pedro Paulo e Crivella seguem próximos, com 20% e 19%, e a chance de reverter o quadro existe. Além disso, 22% dos eleitores não sabem em quem votar e 15% dizem “nenhum deles”, o que representa espaço considerável para mudanças até a votação.
O que os números indicam para o dia 4 de outubro
A pesquisa Gerp aponta um cenário de segundo turno para o governo do estado, com Paes em posição de favorável e Ruas consolidado como adversário. No plano presidencial, o Rio tende a dar vantagem a Flávio Bolsonaro. No Senado, a única certeza é a força de Benedita da Silva; a segunda vaga segue como a grande incógnita da eleição fluminense.
O alto índice de indecisão no segundo voto para o Senado, somado ao volume de eleitores que rejeitam todos os nomes, indica que a reta final pode trazer surpresas. Com 1.200 entrevistas e margem de erro de 2,9 pontos, o levantamento da Gerp se soma a uma sequência de pesquisas que apontam na mesma direção, mas deixa claro que a disputa pela segunda cadeira no Senado está longe de ser definida.
Sobre a pesquisa e os protagonistas
A pesquisa Gerp Mercadologia é um dos institutos que acompanham a disputa eleitoral fluminense desde o início do ciclo. O levantamento desta semana é o sétimo relatório do instituto para as eleições de 2026, e seus números dialogam com os demais levantamentos divulgados na reta final, como Datafolha, Quaest, Atlas/Estadão e Paraná Pesquisas.
Entre os protagonistas, Eduardo Paes, ex-prefeito do Rio, lidera a corrida pelo governo com base em uma gestão avaliada positivamente na capital e no apoio de parte do eleitorado que rejeita o bolsonarismo. Douglas Ruas, deputado estadual do PL, cresceu ao longo da campanha e consolidou o apoio do campo bolsonarista no estado. Benedita da Silva, deputada federal do PT e ex-senadora, é a favorita ao Senado, com forte penetração entre o eleitorado mais pobre e nas regiões metropolitanas.
Levantamento realizado entre 29 e 30 de setembro mostra cenário de segundo turno para o governo e disputa acirrada pela segunda vaga no Senado








