A menos de uma semana das eleições, as disputas pelos governos estaduais entram na reta final com possibilidade de definição já no próximo domingo (4) em 11 estados. Levantamento feito pelo jornal O Globo, baseado nas pesquisas mais recentes da Quaest e do Datafolha, indica que sete dos 27 pleitos apresentam chances mais altas de terminar sem necessidade de uma segunda votação, enquanto outros quatro também podem ser resolvidos no primeiro turno.
São Paulo, maior colégio eleitoral do país, está entre os estados onde o cenário aparece mais consolidado. Em outras disputas, como Bahia e Ceará, a possibilidade de definição antecipada decorre principalmente da concentração das intenções de voto em apenas dois candidatos competitivos.
No extremo oposto, Amazonas, Espírito Santo e Mato Grosso são os três estados onde, de acordo com o levantamento, o segundo turno aparece neste momento como cenário mais consistente. Nas outras 13 disputas, o panorama permanece mais indefinido.
Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa receber mais da metade dos votos válidos, cálculo que exclui votos brancos e nulos. Em 2022, 15 dos 27 governadores foram escolhidos sem necessidade de segundo turno.
São Paulo tem um dos cenários mais definidos
Em São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) chega à última semana de campanha com possibilidade de garantir a reeleição já no primeiro turno.
Segundo o Datafolha citado no levantamento, o governador registra 50% das intenções de voto considerando o total de entrevistados e chega a 56% dos votos válidos. Fernando Haddad (PT) aparece com 30% dos votos totais e 34% dos válidos.
No Piauí, Rafael Fonteles (PT) também entra na reta final em situação favorável à reeleição. O governador conta ainda com avaliação positiva de sua administração: segundo a Quaest, 70% dos entrevistados aprovam sua gestão.
Bahia e Ceará concentram disputa em dois nomes
Na Bahia e no Ceará, a configuração é diferente. Embora os atuais governadores tenham aparecido numericamente atrás de seus principais adversários em levantamentos recentes, a distância diminuiu durante a campanha.
Na Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT) disputa com ACM Neto (União Brasil). No Ceará, Elmano de Freitas (PT) enfrenta Ciro Gomes (PSDB). Os dois confrontos chegaram à última semana em situação de empate técnico na Quaest citada pelo levantamento.
Como os demais candidatos têm percentuais reduzidos nesses estados, existe possibilidade relevante de que um dos dois principais concorrentes ultrapasse a metade dos votos válidos e encerre a disputa no domingo. Isso não significa, porém, que as pesquisas permitam antecipar qual candidato obteria esse resultado.
“São muitos estados com apenas dois candidatos competitivos. Com isso, você antecipa o segundo turno para o primeiro. E só tem dois nomes competitivos porque a terceira via, a construção de alternativas, ficou sem espaço”, pontua ao Globo José Medeiros, professor da UFRJ e coordenador do Observatório Político e Eleitoral.
Santa Catarina, Roraima e Mato Grosso do Sul também têm vantagem ampla
Em Santa Catarina, Jorginho Mello (PL) chega à reta final acima da barreira dos 50% das intenções de voto totais na Quaest. O governador também registra percentual superior à soma de seus adversários, segundo o levantamento.
Em Roraima, Arthur Henrique (PL), ex-prefeito de Boa Vista, aparece com 57% na Quaest, diante de 32% de Soldado Sampaio (Republicanos), governador interino. Henrique derrotou Sampaio na eleição suplementar realizada em junho, mas não assumiu o cargo devido a problemas relacionados ao registro de sua candidatura.
No Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP) também chega à última semana em situação favorável na busca pela reeleição. A administração estadual registra 73% de aprovação, de acordo com a Quaest.
Para o professor do Insper Leandro Consentino, os cenários estaduais combinam características locais com a influência da polarização observada na disputa presidencial.
“É um misto. Por um lado, tem a nacionalização da campanha. Do outro, uma realidade do cenário local. Via de regra, onde existe uma conexão maior com o cenário nacional, há claramente a influência dessa polarização da corrida presidencial”, diz à reportagem o doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP) e professor do Insper Leandro Consentino, frisando não ser possível analisar o fenômeno “no atacado”.
Rio se distancia de definição antecipada
No Rio de Janeiro, a eleição ainda pode terminar no primeiro turno, mas essa possibilidade perdeu força com o crescimento de Douglas Ruas (PL) na disputa contra Eduardo Paes (PSD).
Paes permanece à frente, enquanto Ruas reduziu a distância ao longo da campanha. Nesse cenário, a votação dos demais concorrentes ganha importância para definir se algum candidato conseguirá ultrapassar a marca necessária dos votos válidos.
Outro componente é a situação jurídica de Anthony Garotinho (Republicanos), terceiro colocado nas pesquisas. A candidatura foi indeferida e o ex-governador aguarda o julgamento de recursos. Uma eventual mudança nesse quadro pode alterar a configuração da disputa, embora não seja possível antecipar como os eleitores reagiriam.
No Distrito Federal, a saída de José Roberto Arruda (PSD), após o indeferimento de sua candidatura pela Justiça Eleitoral, também modificou o cenário. A governadora Celina Leão (PP) lidera as pesquisas com ampla vantagem e mantém a possibilidade de definição no primeiro turno.








