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PF e MPRJ fazem operação contra PMs investigados por vender fuzis para o Terceiro Comando Puro

Grupo também vazava dados sigilosos e movimentava milhões de reais em empresas de fachada para a facção atuante no Complexo de Israel.

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divulgação

Na manhã desta quarta-feira, 7/10, a Polícia Federal deflagrou a Operação Magen, em ação conjunta com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), para desarticular um grupo criminoso especializado no comércio ilegal de armas, vazamento de dados restritos da segurança pública, prática de usura e lavagem de capitais para facção criminosa atuante no chamado “Complexo de Israel”, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

Na ação de hoje, policiais federais cumprem sete mandados de prisão preventiva e 18 mandados de busca e apreensão domiciliar em diversos bairros da cidade do Rio de Janeiro (Barra da Tijuca, Copacabana, Parada de Lucas e Vila da Penha), além dos municípios de Nova Iguaçu/RJ, Angra dos Reis/RJ, Mesquita/RJ, Nilópolis/RJ e Seropédica/RJ. Serão cumpridas, ainda, medidas cautelares diversas da prisão contra investigados vinculados à estrutura patrimonial e financeira do grupo, cumuladas com monitoramento eletrônico (tornozeleira).

De acordo com a investigação, pelo menos 13 fuzis calibre 5.56 e nove pistolas teriam sido negociados desde 2022. As apurações começaram em 2024.

A operação cumpre mandados em diferentes pontos do estado. Entre os alvos estão policiais militares e um policial civil da ativa, além de ex-agentes de segurança. Um dos presos apontados como chefe do grupo investigado é Vitor Hugo Marinho Garcia, ex-policial militar que atualmente ocupa um cargo na presidência do Detran-RJ.

Também são investigados policiais que teriam sido lotados na Assembleia Legislativa do Rio. Entre eles está Eduardo Tares Lopes Pires, ex-policial militar. A mulher dele também teria trabalhado na Alerj.

As apurações, conduzidas pelo Grupo de Investigações Sensíveis (GISE/PF/RJ) e pelo Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (GAESF/MPRJ), identificaram que a organização criminosa mantinha um núcleo estruturado para a obtenção, transporte e revenda clandestina de material bélico. O grupo comercializava fuzis de uso restrito, revólveres, pistolas, carregadores e munições. Em uma ocasião, os investigados chegaram a fornecer dez fuzis AR-15 diretamente à principal liderança da facção criminosa que opera no Complexo de Israel.

As informações reveladas pela PF também apontam que o grupo recebia fuzis e equipamentos policiais como forma de comissão ou pagamento pelas transações. Ademais, os criminosos contavam com a atuação de agentes da segurança pública — incluindo um policial civil e um policial militar da ativa, além de ex-policiais —, os quais utilizavam o acesso funcional a sistemas restritos da Administração Pública.

Esses servidores consultavam e repassavam aos líderes da quadrilha dados sigilosos referentes a mandados de prisão em aberto, endereços, registros de veículos e alvos de ações policiais em andamento. As informações restritas eram exploradas tanto para alertar comparsas e evitar a repressão policial, quanto para conduzir investigações clandestinas voltadas à extorsão e à obtenção de lucros ilícitos.

Os recursos obtidos com as atividades criminosas eram integrados à economia formal por meio de sucessivas manobras de dissimulação. As apurações da Polícia Federal revelaram que os operadores do esquema movimentaram mais de R$ 100 milhões em um intervalo de quatro anos, entre contas pessoais e de pessoas jurídicas de fachada. O montante é manifestamente incompatível com as rendas declaradas dos investigados.

Os envolvidos foram denunciados pelo MPRJ e responderão, na medida de suas condutas, pelos crimes de organização criminosa armada, comércio ilegal de armas de fogo e munições, violação de sigilo funcional, usura e lavagem de capitais, sem prejuízo de eventuais outros delitos que possam ser revelados no curso das apurações.