A possibilidade de delação premiada do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, deve ser analisada somente depois que a Polícia Federal concluir a extração de dados de todos os celulares apreendidos com ele.
A avaliação ocorre no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na semana passada. Investigadores recolheram mais três aparelhos no momento da prisão do empresário, em São Paulo, na quarta-feira (4). Ao todo, oito celulares de Vorcaro serão periciados.
Segundo apuração, os dispositivos estão lacrados e aguardam análise técnica. A intenção da PF é dimensionar o alcance das investigações e identificar possíveis envolvidos antes de discutir um eventual acordo de colaboração.
A delação premiada pode ser firmada tanto com a Polícia Federal quanto com o Ministério Público, conforme prevê a Lei das Organizações Criminosas. Embora seja menos comum, delegados também têm autorização legal para celebrar esse tipo de acordo.
O debate sobre uma possível colaboração ganhou força após o vazamento de mensagens que indicariam proximidade do empresário com autoridades dos três Poderes. Para obter benefícios legais, o investigado precisa apresentar provas que sustentem suas declarações e apontar pessoas com participação hierárquica superior na suposta organização criminosa.
As primeiras análises de celulares atribuídos a Vorcaro indicam troca de mensagens com o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Em uma delas, enviada no dia 17 de novembro — data da primeira prisão do empresário —, o remetente pergunta se o magistrado teria conseguido “bloquear” algo.
O conteúdo da resposta não é conhecido, pois teria sido enviado por meio de mensagens de visualização única, que desaparecem após serem abertas.
Em nota, Moraes afirmou que não é o destinatário das mensagens e que os registros divulgados não correspondem aos seus contatos. Após a repercussão do caso, o ministro André Mendonça determinou a abertura de inquérito no STF para investigar o vazamento dos dados extraídos do celular do empresário.
Vorcaro foi preso novamente na semana passada durante a nova fase da operação, que investiga a venda de carteiras de crédito supostamente fraudulentas ao Banco de Brasília (BRB).
Ele está atualmente na Penitenciária Federal de Brasília, uma das unidades de segurança máxima do país.






