A Procuradoria-Geral da República denunciou ao Supremo Tribunal Federal o deputado estadual Rodrigo Bacellar, o ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, o desembargador Macário Ramos Júdice Neto e outras duas pessoas por suspeita de obstrução de investigação ligada à facção criminosa Comando Vermelho.
Além deles, também foram denunciados Jéssica de Oliveira Santos e Thárcio Nascimento Salgado. Segundo a acusação, o grupo teria atuado para atrapalhar investigações policiais ao repassar informações sigilosas sobre operações que estavam sendo preparadas.
De acordo com a denúncia, o desembargador Macário Ramos Júdice Neto teria violado o sigilo funcional ao compartilhar detalhes de ações policiais. A Procuradoria afirma que ele sabia quando e como as operações seriam realizadas e mantinha relação de amizade com Rodrigo Bacellar, com quem teria se encontrado pessoalmente.
A PGR sustenta ainda que Bacellar e TH Joias teriam usado os cargos públicos para interferir em investigações relacionadas ao Comando Vermelho.
A denúncia cita a Operação Zargun, realizada em setembro do ano passado e que tinha como alvo TH Joias. Segundo o documento, o resultado da ação policial teria sido comprometido após o vazamento das informações.
De acordo com a acusação, TH Joias teria sido avisado previamente sobre a operação, o que permitiu a retirada de computadores e outras mídias do gabinete que ocupava na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, além de deixar sua residência na véspera da ação policial.
A Procuradoria afirma ainda que Rodrigo Bacellar teria alertado o ex-parlamentar sobre a operação, fato que, segundo o órgão, ele teria admitido em depoimento à Polícia Federal.
Agora, caberá ao STF decidir se aceita ou não a denúncia. Caso seja aceita, os investigados passam à condição de réus no processo.
A defesa do desembargador Macário Ramos Júdice Neto informou que recebeu a denúncia com surpresa e afirmou que as acusações são baseadas em “ilações e conjecturas”. Segundo os advogados, ele confia que provará sua inocência ao longo do processo.
Até a última atualização da reportagem, os demais citados não haviam se manifestado.






