A Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitou, nesta segunda-feira (15), a segunda proposta de acordo de colaboração premiada apresentada pelo empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo apurou a CBN, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, concluiu que a proposta não trouxe informações inéditas capazes de contribuir de forma relevante para o avanço das investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF).
De acordo com fontes ligadas à PGR, grande parte do conteúdo apresentado por Vorcaro se baseava em relatos indiretos, sem a apresentação de provas ou de fatos novos relacionados ao suposto esquema bilionário de fraudes investigado pelas autoridades. Além disso, a Procuradoria considerou insuficiente o comprometimento do empresário com a devolução de valores eventualmente desviados, um dos requisitos considerados essenciais pela equipe do Ministério Público Federal para a celebração de um acordo de colaboração premiada.
Vorcaro está preso preventivamente desde 4 de março deste ano, por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso. O empresário permanece detido na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Ele é apontado pela PF como o principal articulador de um esquema de fraudes financeiras que pode ter causado prejuízos estimados em até R$ 12 bilhões ao sistema financeiro nacional e a investidores.
Na semana passada, a própria Polícia Federal já havia se manifestado de forma contrária à homologação da nova proposta de delação. Diante da negativa de colaboração por parte do órgão ministerial, a PF solicitou formalmente que Vorcaro deixe as instalações da Superintendência da corporação, em Brasília, e seja transferido de volta para o Complexo Penitenciário da Papuda, onde permaneceria detido e à total disposição da Justiça.
Agora, caberá ao ministro André Mendonça decidir se autoriza ou não a transferência do empresário para o sistema prisional do Distrito Federal nos próximos dias. As investigações sobre o Banco Master e o grupo financeiro associado seguem sob rígido sigilo de Justiça e apuram suspeitas que envolvem fraudes financeiras de grande escala, crimes de lavagem de dinheiro e possíveis irregularidades graves envolvendo a gestão da própria instituição.










