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Pix atinge recorde histórico de 318 milhões de transações em meio a embate comercial com os EUA

Nova marca supera o topo histórico anterior, registrado em 5 de dezembro do ano passado

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Foto: Reprodução

O Pix registrou na última sexta-feira (4/9) o maior volume de operações diárias desde a sua criação. De acordo com dados do Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI) do Banco Central, foram consolidadas 318.073.816 transações em um único dia, movimentando um montante global de R$ 186,89 bilhões. O tíquete médio por operação ficou estabelecido em R$ 587,58.

A nova marca supera o topo histórico anterior, registrado em 5 de dezembro do ano passado. Naquela ocasião, o sistema processou 313.339.828 liquidações financeiras, somando R$ 179,93 bilhões e com valor médio de R$ 574,24 por transferência.

O desempenho robusto da ferramenta ocorre em um momento de alta fricção diplomática. O método de pagamento eletrônico brasileiro tornou-se um dos eixos centrais da disputa comercial com os Estados Unidos, servindo de justificativa para Washington impor barreiras alfandegárias ao mercado nacional.

A ofensiva tarifária de Washington

Em junho, o governo norte-americano oficializou a aplicação de uma tarifa de 25% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros. A sanção econômica baseou-se em um relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O documento apontou que o Banco Central atua de forma desleal ao regular e gerenciar o Pix, supostamente prejudicando as empresas de cartões e os provedores de serviços de pagamento sediados nos EUA.

A conclusão do órgão norte-americano sustenta que as diretrizes nacionais blindam o ecossistema local e criam vantagens injustas aos produtores do Brasil no mercado externo.

Reação do Banco Central e defesa institucional

A investida externa desencadeou forte blindagem por parte das autoridades monetárias do país. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, classificou a justificativa da Casa Branca como infundada e defendeu a eficiência do arranjo de pagamentos instantâneos.

“O caso da implementação do Pix consegue se configurar como um desses em que é benéfico para quem demanda e quem oferta, para o setor público e para o sector privado. Produziu benefícios para a sociedade como um todo e isso é reconhecido internacionalmente”, enfatizou Galípolo na ocasião.

Lula provoca Trump e cobra autonomia em Inteligência Artificial

O cenário de tensões tarifárias voltou a repercutir no palanque político nacional. Neste sábado (5/9), durante um ato público em São José do Rio Preto (SP), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou abertamente as pressões exercidas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, contra o sistema de transferências brasileiro.

Lula ironizou a posição de Washington e sugeriu que o líder dos EUA passasse a utilizar o mecanismo eletrônico para constatar os seus benefícios operacionais.

O mandatário brasileiro aproveitou o gancho tecnológico para cobrar investimentos estratégicos na área de inovação digital, defendendo a soberania do país frente às grandes potências globais.

“Agora nós vamos querer dominar essa história de inteligência artificial. Não quero ficar dependendo da China nem dos Estados Unidos. Nós queremos inteligência artificial em português”, discursou o presidente da República.