O Partido Liberal (PL) oficializou, na manhã deste sábado (25), a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República para as eleições de 2026. O evento, realizado na capital paulista, reuniu a cúpula da legenda, parlamentares e apoiadores. A convenção contou com a presença do presidente da Argentina, Javier Milei, que viajou ao Brasil para prestar apoio ao parlamentar.
Esta é a primeira vez que Flávio, de 45 anos, disputa o Palácio do Planalto. O advogado e empresário foi o escolhido pela família para liderar o espólio político do grupo após o ex-presidente Jair Bolsonaro ser declarado inelegível e condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Se eleito, o senador já declarou que sua prioridade será aprovar a anistia do pai, de quem deseja receber a faixa presidencial na posse.
Unidade familiar e choro no palanque
A convenção buscou projetar uma imagem de total alinhamento interno, especialmente após crises públicas recentes. Ausente fisicamente após desavenças políticas com o enteado no Ceará, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro participou de forma virtual por meio de um vídeo gravado. No pavilhão do PL Mulher, um totem em tamanho real foi instalado para marcar sua presença simbólica. Dias antes, ambos haviam gravado um vídeo selando a reconciliação.
A mãe do candidato, Rogéria Bolsonaro — primeira suplente ao Senado na chapa de Márcio Canella (União Brasil) no Rio —, foi apresentada na abertura do evento. Em vídeos enviados dos Estados Unidos, os irmãos Eduardo e Carlos Bolsonaro defenderam a candidatura. Eduardo pregou o fim de projetos pessoais para focar na eleição, associando a vitória à soltura de Jair Bolsonaro e à anistia dos presos pelo 8 de janeiro. O discurso de Carlos fez o irmão chorar no palco ao demonstrar total confiança em sua missão de carregar o legado do pai.
O nó do vice e o isolamento de centro-direita
Apesar do clima de festa, o PL inicia a campanha com uma grande indefinição: a vaga de vice-presidente continua aberta. Flávio deseja compor a chapa com uma mulher para tentar reduzir sua rejeição no eleitorado feminino. Os nomes cotados nos bastidores refletem o isolamento da sigla:
- Daniella Marques (Republicanos): Economista, ex-presidente da Caixa e coordenadora do núcleo econômico da campanha.
- Simone Marquetto (PP-SP): Deputada federal com forte inserção no eleitorado católico.
- Tereza Cristina (PP): A senadora e ex-ministra recusou formalmente o convite para integrar a chapa.
Partidos cruciais do centrão como PP, União Brasil e Republicanos sinalizam que devem se manter neutros no primeiro turno, o que pode forçar o PL a lançar uma chapa “puro-sangue” (composta apenas por membros do partido) até o prazo final de registro em 15 de agosto.
Turbulências judiciais e o caso “Dark Horse”
A campanha de Flávio Bolsonaro decola em meio a um cerco jurídico que estancou seu crescimento nas pesquisas de intenção de voto. Embora tenha atingido o ápice em maio, o candidato viu seus números oscilarem negativamente após o avanço do caso “Dark Horse”, que investiga repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro.
Na última quinta-feira (23), o ministro André Mendonça, do STF, autorizou a Polícia Federal a investigar se dinheiro de Vorcaro custeou despesas de Eduardo Bolsonaro em território americano. Paralelamente, o ministro Flávio Dino autorizou um inquérito para apurar o suposto desvio de emendas parlamentares destinadas à mesma produtora cinematográfica.
Do tom moderado ao embate com o STF
Embora tenha iniciado a pré-campanha se apresentando como um “Bolsonaro moderado e centrado”, o senador subiu o tom contra o Judiciário nas últimas semanas. A mudança ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes proibi-lo de visitar o próprio pai por 90 dias, após Flávio descumprir regras da prisão domiciliar ao divulgar uma carta onde se colocava como porta-voz político do ex-presidente. Em reuniões recentes com diplomatas, Flávio também voltou a levantar suspeitas sobre a segurança das urnas eletrônicas.
Plataforma de Governo: Segurança e Microcrédito
Os discursos da convenção consolidaram as duas principais bandeiras do plano de governo de Flávio Bolsonaro:
- “Brasil sem Medo” (Segurança): Defende a redução da maioridade penal, a classificação de facções criminosas como organizações terroristas e a introdução da castração química para condenados por crime de estupro.
- “Brasil por Elas” (Social): Desenvolvido em parceria com Daniella Marques, prevê a criação de linhas de microcrédito focadas no empreendedorismo feminino e a universalização do acesso à internet para mulheres.








