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PM do RJ não atende a 40% dos pedidos de vídeos de câmeras corporais

Defensoria Pública aponta falhas no envio de imagens e perda de provas em investigações policiais

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reprodução

A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro revelou que a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro não encaminhou cerca de 40% das imagens de câmeras corporais solicitadas em 2025. De aproximadamente 2,5 mil pedidos, apenas 1,5 mil foram atendidos.

Em pelo menos 337 ocorrências, a corporação alegou perda dos arquivos, o que representa 13,4% do total de solicitações. A ausência dos registros compromete investigações e levanta questionamentos sobre a efetividade do uso da tecnologia.

Segundo o defensor Pedro Paulo Gouvêa de Souza, a situação é preocupante. Para ele, a falta das imagens afeta diretamente processos criminais que dependem de esclarecimentos sobre abordagens policiais.

Falhas em equipamentos e obrigatoriedade do uso

O problema ficou evidente no caso da médica Andréa Marins Dias, morta durante uma ação policial. As câmeras dos três agentes envolvidos estavam descarregadas, impossibilitando o registro da ocorrência.

A obrigatoriedade do uso de câmeras corporais foi estabelecida após a operação na favela do Jacarezinho, em 2021, que terminou com 28 mortos. A medida foi reforçada por decisão do Supremo Tribunal Federal, determinando a gravação de todas as ações policiais no estado.

O uso começou em 2022, mas unidades como o Batalhão de Operações Policiais Especiais só passaram a utilizar os equipamentos em 2024. Atualmente, mais de 13 mil câmeras estão em operação no estado.

Investigações internas e punições

Dados da corregedoria da PM indicam mais de 5,4 mil investigações sobre uso inadequado das câmeras entre janeiro de 2024 e setembro de 2025.

No mesmo período, 882 policiais foram punidos administrativamente por irregularidades, incluindo abuso em abordagens e manipulação dos equipamentos.