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Polícia indicia cúpula do Comando Vermelho por onda coordenada de roubos no Rio

Investigações apontam mais de 800 crimes em quatro dias como retaliação a ações de segurança

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Reprodução

A Polícia Civil do Rio de Janeiro indiciou os principais líderes do Comando Vermelho por uma onda coordenada de roubos de veículos registrada entre os dias 30 de janeiro e 2 de fevereiro de 2025. Em apenas quatro dias, cerca de 800 crimes foram cometidos em diferentes regiões do estado, em uma ofensiva que, segundo as investigações, teve como objetivo espalhar medo na população e pressionar as forças de segurança.

As informações constam em comunicado divulgado pela Secretaria de Estado de Polícia Civil (Sepol) e publicado no site oficial da corporação. A apuração integra a segunda fase da Operação Torniquete, conduzida pela Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis da Capital (DRFA-CAP), especializada no combate a crimes que financiam facções criminosas.

Ordem partiu da cúpula da facção

De acordo com os investigadores, a sequência de roubos não teve motivação financeira. A análise de dados e o cruzamento de informações de inteligência indicaram que as ordens partiram diretamente da cúpula do Comando Vermelho instalada em complexos estratégicos como Penha, Chapadão e Salgueiro.

A ofensiva, segundo a Polícia Civil, foi planejada como uma forma de retaliação às operações policiais e às mudanças recentes na condução da política de segurança pública no estado, buscando causar instabilidade e sensação de insegurança generalizada.

Veículos abandonados reforçam tese de intimidação

O mapeamento realizado pela DRFA-CAP revelou que grande parte dos veículos roubados foi abandonada pouco tempo depois e recuperada em áreas sob domínio da própria facção. Para os investigadores, esse padrão reforça que os crimes funcionaram como uma ação coordenada de intimidação e propaganda criminosa.

Os roubos foram executados por criminosos ligados a comunidades controladas pelo Comando Vermelho, seguindo determinações diretas das lideranças locais. O trabalho investigativo permitiu individualizar responsabilidades e identificar os articuladores da ação em diferentes territórios.

Reação à ofensiva contra a “caixinha” da facção

O secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi, afirmou que a investigação comprovou que a onda de crimes foi motivada por ações das forças de segurança contra a chamada “caixinha” da facção, mecanismo usado para financiar atividades criminosas e sustentar familiares de lideranças e presos.

“Essa é uma espécie de poupança da facção, que serve para financiar os luxos dos parentes das lideranças e também uma espécie de previdência privada para os parentes dos presos faccionados. Isso causou uma revolta na facção e acabou resultando nessa onda de roubos e de terror praticados pelo Comando Vermelho”, afirmou Curi.

Operação mira quem planeja e lucra com a violência

Segundo a Polícia Civil, a Operação Torniquete tem como foco não apenas os executores dos crimes, mas principalmente quem os planeja, ordena e se beneficia financeiramente da violência. A ofensiva busca enfraquecer a estrutura econômica das facções criminosas e reduzir sua capacidade de articulação.

O trabalho resultou no indiciamento de líderes e operadores do Comando Vermelho responsáveis por coordenar os ataques em diferentes regiões da capital e da Região Metropolitana.

Lista de indiciados pela Polícia Civil

Foram indiciados no inquérito da Operação Torniquete:

  • Edgard Alves de Andrade, o “Doca”, líder da facção no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio
  • Carlos da Costa Neves, o “Gardenal”, braço direito de “Doca” e responsável direto pelos roubos na Penha
  • Luiz Fernando Nascimento Ferreira, o “Nando Bacalhau”, líder da facção no Complexo do Chapadão
  • Alexsandro Miranda da Silva, o “Dando”, braço direito de “Nando Bacalhau” e responsável pelos roubos no Chapadão
  • Antônio Ilário Ferreira, o “Rabicó”, líder no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo
  • Hilário Gabriel dos Santos Rangel, o “Biel do Feijão”, líder na Comunidade do Feijão, em São Gonçalo
  • Jonatha Hyrval Cassiano da Silva, o “Bochecha Rosa”, líder na Comunidade Corte 8, em Duque de Caxias
  • Joab da Conceição Silva, o “Joab”, líder na Comunidade Rua Sete, em Duque de Caxias

Novas ações e resultados da Operação Torniquete

Felipe Curi afirmou que a resposta ao crime organizado será permanente e sinalizou novas ofensivas policiais.

“Não vamos admitir que esse tipo de retaliação ocorra novamente em nosso estado. Vocês lembram da Megaoperação Contenção ocorrida no dia 28 de outubro de 2025. Vem mais por aí”, disse o secretário.

Desde setembro de 2024, a Operação Torniquete já resultou em mais de 740 prisões, além da recuperação de cargas e veículos avaliados em quase R$ 45 milhões. As investigações também levaram ao bloqueio de bens e valores que já ultrapassam R$ 70 milhões, segundo a Polícia Civil.