A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) identificou um policial militar como autor dos disparos que mataram o professor Daniel Oliveira de Andrade, de 28 anos, na Rodovia Presidente Dutra, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O agente, lotado no 16º BPM (Olaria), tinha depoimento marcado para esta quinta-feira (5), mas não compareceu à delegacia.
A identificação ocorreu após a análise de imagens de câmeras de segurança, que apontaram uma possível discussão de trânsito antes do crime. Segundo a investigação inicial, os dois veículos envolvidos teriam realizado uma série de manobras perigosas na rodovia. O caso é investigado como homicídio.
Daniel morava em São Paulo e havia acabado de concluir o mestrado em Educação Matemática pela Universidade de São Paulo (USP). Ele viajava para o Rio de Janeiro com dois amigos para comemorar a conquista e aproveitar o feriado de Finados.
O crime aconteceu por volta das 2h30 da madrugada de sábado (31), na altura do bairro de Austin. Daniel dormia no banco do carona, com o assento reclinado, quando foi atingido por um disparo na região da axila. Ele chegou a ser socorrido e levado ao Hospital Geral de Nova Iguaçu, na Posse, mas já chegou à unidade sem vida. Um dos pneus do veículo também foi atingido.
A hipótese de uma briga de trânsito, apontada pela investigação a partir das imagens, é contestada pela família da vítima. Segundo o relato do amigo que dirigia o carro, o grupo seguia atrás de um caminhão quando outro veículo se aproximou com o farol alto, aparentemente pedindo passagem.
O motorista teria mudado de faixa para permitir a ultrapassagem. Em seguida, o outro automóvel passou pelo carro dos amigos e pelo caminhão, começando a frear repetidamente à frente do veículo de carga. A situação levou os ocupantes a suspeitar de uma possível tentativa de assalto.
Ainda de acordo com o relato, o motorista acelerou para deixar o local e ultrapassou os dois veículos. Pouco depois, o automóvel suspeito emparelhou com o carro em que Daniel estava, e os disparos foram efetuados.
Investigação
Até a última atualização, não havia informação sobre pedido de prisão ou mandado judicial contra o policial militar. A Polícia Militar informou que o caso está sob responsabilidade da Polícia Civil e que colabora com as investigações.
A DHBF solicitou imagens de câmeras de segurança da rodovia e de estabelecimentos próximos para esclarecer a dinâmica do homicídio.
A família também denunciou uma suposta cobrança de R$ 1 mil pelo Instituto Médico Legal (IML) para a liberação do corpo do professor. O serviço é público e não deve haver cobrança por funcionários. A Corregedoria-Geral da Polícia Civil informou que vai apurar a denúncia.
Nas redes sociais, parentes e amigos cobram respostas e justiça pela morte do professor, descrito como uma pessoa gentil, inteligente e apaixonada pela educação.
Daniel havia comemorado recentemente a conclusão do mestrado. Em uma publicação, destacou a importância da Matemática em sua trajetória e afirmou ter orgulho de ser professor e acreditar na educação como instrumento de transformação social.








