Ouça agora

Ao vivo

Reproduzir
Pausar
Sorry, no results.
Please try another keyword
Centro Cultural Donana celebra 40 anos com lançamento de livro em Belford Roxo
Baixada Fluminense
Centro Cultural Donana celebra 40 anos com lançamento de livro em Belford Roxo
Em jogo eletrizante, Flamengo e River Plate empatam em 2 a 2 em Portugal
Esportes
Em jogo eletrizante, Flamengo e River Plate empatam em 2 a 2 em Portugal
Moraes mantém prisão domiciliar de Bolsonaro por motivos de saúde
Destaque
Moraes mantém prisão domiciliar de Bolsonaro por motivos de saúde
Brasil e França firmam acordo e Guiana Francesa deixa de exigir visto para brasileiros
Geral
Brasil e França firmam acordo e Guiana Francesa deixa de exigir visto para brasileiros
Calor extremo ameaça jogos do fim de semana na Copa do Mundo 2026
Mundo
Calor extremo ameaça jogos do fim de semana na Copa do Mundo 2026
Avião desenha homenagem aos 250 anos dos EUA no céu
Mundo
Avião desenha homenagem aos 250 anos dos EUA no céu
Quaquá elogia Ricardo Couto e afirma que Rio passa por “choque de ordem” na gestão estadual
Política
Quaquá elogia Ricardo Couto e afirma que Rio passa por “choque de ordem” na gestão estadual
2804-prefni-banner-saedas-728x90
2804-prefni-banner-saedas-728x90
previous arrow
next arrow

Poluição do ar aumenta risco de demência, aponta estudo

Análise publicada na revista The Lancet Planetary Health mostra que partículas poluentes podem acelerar doenças neurodegenerativas como Alzheimer

Siga-nos no

Um estudo publicado nesta segunda-feira (28/07) na revista The Lancet Planetary Health aponta que a exposição prolongada à poluição do ar pode estar diretamente ligada ao aumento do risco de demência em adultos, incluindo a doença de Alzheimer. A pesquisa foi liderada por cientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e reuniu dados de 51 estudos anteriores envolvendo mais de 29 milhões de pessoas em quatro continentes.

A análise identificou uma correlação clara entre níveis elevados de certos poluentes atmosféricos e o aumento da incidência de doenças neurodegenerativas. De acordo com os pesquisadores, partículas microscópicas e gases liberados principalmente por veículos, indústrias e queima de combustíveis podem causar inflamações e estresse oxidativo no cérebro — fatores associados ao desenvolvimento da demência.

Os poluentes com maior impacto

Três agentes poluentes foram destacados por sua forte associação com o risco de demência:

  • Material particulado fino (PM2,5): partículas com menos de 2,5 micrômetros de diâmetro. Para cada aumento de 10 microgramas por metro cúbico no ar, o risco de demência sobe 17%.

  • Dióxido de nitrogênio (NO₂): gás emitido por motores a diesel, atividades industriais e aquecedores a gás. Um aumento de 10 microgramas por metro cúbico eleva o risco em 3%.

  • Fuligem (black carbon): subproduto da queima incompleta de combustíveis fósseis e madeira. A cada um micrograma por metro cúbico a mais, o risco cresce 13%.

Segundo os pesquisadores, esses poluentes podem afetar o cérebro diretamente, ao atravessar a barreira hematoencefálica, ou indiretamente, ao desencadear respostas inflamatórias no organismo.

Questão de saúde e política pública

Para os autores do estudo, a poluição do ar deve ser tratada como um fator de risco modificável, ou seja, passível de intervenção por meio de políticas públicas e ações sociais. Clare Rogowski, coautora da pesquisa, defende medidas mais rígidas de regulação ambiental. “Limites mais restritivos sobre setores como o transporte e a indústria podem ajudar a reduzir o impacto da demência na sociedade”, afirma.

Impacto desigual

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 57 milhões de pessoas vivem com demência no mundo, número que pode chegar a 150 milhões até 2050. Embora algumas regiões da Europa e América do Norte apresentem queda nos novos diagnósticos — atribuída a mudanças nos hábitos de vida — o cenário em países de baixa e média renda é mais alarmante.

A maioria dos estudos analisados foi realizada em países desenvolvidos, com população majoritariamente branca. A coordenadora do estudo, professora Haneen Khreis, destaca a necessidade de ampliar o foco para populações vulneráveis. “Precisamos de mais pesquisas que incluam grupos sub-representados, especialmente em regiões com maior exposição à poluição, como periferias urbanas em países em desenvolvimento”, alerta.

Estratégia de saúde pública

Além do Alzheimer, o estudo também aponta uma possível associação entre a poluição atmosférica e a demência vascular — causada pela redução do fluxo sanguíneo no cérebro. Para os pesquisadores, reduzir os níveis de poluição do ar pode ser uma das estratégias mais eficazes de saúde pública a longo prazo. “Reduzir a poluição do ar pode aliviar a pressão sobre os sistemas de saúde, melhorar a qualidade de vida dos idosos e proteger futuras gerações”, concluem os autores.