A poluição do ar tem impacto direto no aumento do risco de câncer e pode comprometer os avanços no combate à doença, segundo relatório da Union for International Cancer Control. O estudo reúne evidências recentes e amplia a compreensão sobre os efeitos da poluição, que vão além da já conhecida relação com o câncer de pulmão.
Com base em análises conduzidas pelo The George Institute for Global Health, o levantamento consolidou dados de dezenas de estudos e aponta que a exposição contínua a partículas finas, como o material particulado PM2,5, está associada ao aumento tanto da incidência quanto da mortalidade por diferentes tipos de câncer.
Entre os destaques, há crescimento nos casos de câncer de fígado e colorretal, além de elevação nas taxas de mortalidade por câncer de mama, fígado e pulmão. O relatório classifica a poluição como um fator de risco “multicâncer”, indicando que seus efeitos atingem vários órgãos do corpo.
Outro ponto de preocupação é o impacto desigual da poluição. Mulheres, crianças, populações de baixa renda e trabalhadores expostos ao ar livre estão entre os grupos mais vulneráveis. Em ambientes domésticos com uso de combustíveis poluentes, o risco de câncer de pulmão pode ser significativamente maior.
O documento também chama atenção para o aumento global dos casos da doença, que podem saltar de 20 milhões, em 2022, para 35 milhões até 2050, pressionando sistemas de saúde, especialmente em países de baixa e média renda.
Apesar do cenário, especialistas destacam que há soluções conhecidas, como a adoção de ენერგias limpas, controle de emissões e políticas urbanas voltadas à mobilidade sustentável. No entanto, a aplicação dessas medidas ainda é limitada em grande parte do mundo.
O relatório reforça a necessidade de ações integradas e políticas públicas mais eficazes para reduzir a poluição e proteger a saúde da população, destacando que o problema depende de decisões coletivas e não apenas de escolhas individuais.






