Ouça agora

Ao vivo

Reproduzir
Pausar
Sorry, no results.
Please try another keyword
Governo lança plataforma com inteligência artificial para facilitar acesso a informações públicas
Brasil
Governo lança plataforma com inteligência artificial para facilitar acesso a informações públicas
Presidente da Faetec é exonerado após crise estrutural e falta de professores
Estado
Presidente da Faetec é exonerado após crise estrutural e falta de professores
Negros tem 4 vezes mais chances de serem mortos pela polícia, diz estudo
Brasil
Negros tem 4 vezes mais chances de serem mortos pela polícia, diz estudo
STF mantém fim da aposentadoria compulsória para juízes condenados
Brasil
STF mantém fim da aposentadoria compulsória para juízes condenados
MPRJ denuncia grupo de milicianos que monitorava PMs e extorquia comerciantes na Baixada Fluminense
Estado
MPRJ denuncia grupo de milicianos que monitorava PMs e extorquia comerciantes na Baixada Fluminense
Hospital Cardoso Fontes ganha novas enfermarias adultas
Rio de Janeiro
Hospital Cardoso Fontes ganha novas enfermarias adultas
Interventora do SAF Vasco alega problemas de segurança e renuncia ao cargo
Vasco
Interventora do SAF Vasco alega problemas de segurança e renuncia ao cargo
2804-prefni-banner-saedas-728x90
2804-prefni-banner-saedas-728x90
previous arrow
next arrow

Povos tradicionais mobilizam Belém durante a COP30

A oito quilômetros da COP30, indígenas, quilombolas e ribeirinhos protagonizam encontro paralelo que cobra demarcação, justiça climática e proteção de direitos.

Siga-nos no

Enquanto chefes de Estado e negociadores se reúnem no espaço oficial da COP30, um outro encontro dá o tom da mobilização social em Belém. A oito quilômetros dali, no campus da Universidade Federal do Pará (UFPA), milhares de indígenas, quilombolas, ribeirinhos e diversos povos tradicionais ocupam a Cúpula dos Povos, evento paralelo que devolve à agenda climática as vozes de quem vive os impactos mais severos dos eventos extremos. A iniciativa retorna após três edições interrompidas por legislações restritivas nos países que sediaram as últimas conferências.

A abertura, no fim da tarde de quarta-feira, reuniu shows, lançamentos de livros, debates e falas de movimentos sociais que reivindicaram, sobretudo, a demarcação de terras. O líder Takak Xikrin sintetizou a mensagem que ecoou no palco: “A resposta somos nós; só o conhecimento ancestral vai paralisar a crise climática”.

O início oficial da programação também trouxe um cortejo artístico inspirado na Boiúna, a cobra gigante dos fundos do rio na lenda amazônica, simbolizando a abertura de caminhos e a boa energia. À frente, personagens caracterizados como onças reforçavam o papel de guardiãs da floresta.

Criada durante a Rio-92, a Cúpula dos Povos volta com força em Belém. A organização estima que mais de sete mil pessoas circulem pelos espaços montados na UFPA, entre tendas, palcos, áreas de debate, pontos de convivência e alojamentos. O campus se transformou em uma comunidade temporária, onde se cruzam experiências e lutas: indígenas dialogando com quilombolas, atingidos por barragens compartilhando relatos, estudantes promovendo atos e movimentos populares oferecendo produtos e materiais. Uma confluência de agendas unidas pela defesa dos territórios e pela urgência climática.

A chegada de cerca de cinco mil participantes pela Baía do Guajará, em uma barqueata com 200 embarcações — algumas vindas até de Mato Grosso — marcou o dia com uma demonstração simbólica de articulação dos povos da água.

A Cúpula concentra pautas variadas, mas prioriza quatro eixos: justiça climática global, proteção dos direitos humanos, transição energética e fortalecimento da agroecologia. Além dos movimentos sociais, instituições governamentais também participam. A Fiocruz marca presença discutindo os impactos das mudanças do clima na saúde, destacando como eventos extremos, perda de biodiversidade, poluição e insegurança alimentar já alteram a vida de populações inteiras. “Não há como organizar o SUS sem considerar a mudança climática”, afirma Guilherme Franco Netto, da Vice-Presidência de Ambiente e Promoção da Saúde da fundação.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) estima mais de 2,5 mil indígenas em Belém reivindicando maior participação nas negociações e defendendo a demarcação de terras como política climática. A Caravana da Resposta, vinda do Baixo Tapajós e reunindo mais de 300 representantes de etnias e comunidades da Amazônia e do Cerrado, reforçou a chegada de lideranças como Kayapó, Panará, Tupinambá, Arapiuns, Munduruku, Borari e Mura, além de agricultores familiares, quilombolas e comunicadores populares.

No contraponto à COP30, a Cúpula dos Povos amplia o debate climático para além das mesas diplomáticas, trazendo para o centro as vozes de quem historicamente esteve à margem das decisões — e que agora reivindica não apenas ser ouvido, mas protagonizar soluções para salvar o planeta.