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Prefeitos argentinos divulgam manifesto contra ataques de Milei a Lula

Federação Argentina de Municípios alerta para o impacto negativo nas relações diplomáticas

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reprodução

A Federação Argentina de Municípios (FAM) e mais de 30 deputados do país condenaram os ataques do presidente Javier Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. As declarações, proferidas no último sábado (25) e replicadas nas redes sociais na segunda-feira (27), levaram a uma forte reação na Argentina, com acusações de que Milei estaria “exportando vergonha” e prejudicando as relações com o Brasil, nação irmã.

Em comunicado divulgado na segunda-feira (27), a Federação Argentina de Municípios (FAM) acusou o presidente argentino de “exportar vergonha”. A entidade classificou o Brasil como uma “nação irmã, com a qual a Argentina construiu uma relação histórica baseada no respeito, na cooperação e na integração”. De acordo com o documento, as declarações de Milei representam um “sério golpe” para a imagem internacional do país e um “retrocesso em uma política de integração que levou décadas para se consolidar”.

Além da FAM, outras autoridades argentinas se posicionaram contra as declarações do presidente. Até a manhã desta terça-feira (28), mais de 30 deputados do país assinaram um projeto legislativo de declaração de repúdio às falas do chefe de Estado.

O texto, apresentado pelo deputado kirchnerista Jorge Taiana, expressa “enérgico repúdio aos episódios e às calúnias e injúrias violentas emitidas” por Milei contra Lula e Moraes. Os congressistas consideram essas falas “uma grave afetação das relações diplomáticas bilaterais e da política exterior da nação (argentina)”. O projeto ainda manifesta “profunda preocupação” pela ingerência do presidente argentino nos assuntos internos e no processo político institucional brasileiro, “vulnerando os princípios fundamentais do direito internacional”, e afirma que o episódio coloca em risco a convivência pacífica e os laços históricos de cooperação entre os países. É importante notar que o governo brasileiro já demonstrou sua insatisfação, como na ocasião em que o Brasil convocou seu embaixador na Argentina após ataques anteriores de Milei.

No último sábado (25), durante uma convenção nacional do Partido Liberal (PL) que lançou a candidatura à Presidência de Flávio Bolsonaro, Milei chamou Lula de “presidiário”. Ele também acusou o presidente brasileiro de ter tentado interferir nas eleições argentinas a favor da esquerda. Além das ofensas contra o presidente da República, o chefe de Estado argentino também proferiu xingamentos ao ministro do STF, Alexandre de Moraes, ao chamá-lo de “lixo careca”.

O presidente argentino continuou os ataques contra Lula nos últimos dias, por meio das redes sociais, republicando postagens críticas e ofensivas ao petista. Na segunda-feira (27), Milei republicou uma postagem que pergunta “por que Lula é ladrão?”, afirmando em seguida: “Porque foi condenado por corrupto e porque nunca conseguiu provar sua inocência”. A publicação termina com a frase: “Portanto, chamar de ladrão ao ladrão não é motivo de ofensa, é só chamar as coisas pelo nome”. Recentemente, Milei reforçou sua postura, afirmando que não pedirá desculpas a Lula e o chamou de ‘ego inflamado’, reiterando sua posição.