A obra bilionária da Via Dutra, que inclui a ampliação na Baixada Fluminense e a duplicação da Serra das Araras, avança sem contemplar um ponto essencial — e invisível para quem passa pela rodovia: o sistema de drenagem. Intervenções para o escoamento da água da chuva, que impactam diretamente municípios como Nova Iguaçu e Queimados, ainda não foram incorporadas de forma definitiva ao projeto de modernização.
Hoje, o escoamento segue baseado em um sistema concebido na década de 1950, já considerado insuficiente diante do crescimento urbano e do aumento do volume de chuvas.
O tema envolve a concessionária, a Agência Nacional de Transportes Terrestres e os municípios. Em setembro do ano passado, a agência reguladora deu 90 dias para a EcoRioMinas apresentar um projeto de drenagem para Nova Iguaçu. O prazo venceu e, desde então, novos cronogramas vêm sendo discutidos, sem que uma solução consolidada tenha sido apresentada.
Em Nova Iguaçu, o ponto mais sensível é o entorno do Canal Viga-Maranhão. Propostas elaboradas pelo município, com base em estudos e cálculos hidráulicos, não foram incorporadas ao projeto. A concessionária informou que os estudos seguem em andamento.
Ao longo do traçado, a rodovia corta canais e áreas estratégicas para o escoamento da água da chuva, o que exige intervenções específicas. Regiões como Posse e Comendador Soares vêm sendo acompanhadas por técnicos municipais.
Já em Queimados, o problema se concentra no trecho do Rio Queimados, que recebe águas dos rios Abel e Camarim. Pilares instalados no leito passaram a reter lixo, galhos e sedimentos, reduzindo a vazão durante períodos de chuva mais intensa. O caso é alvo de uma ação judicial que se arrasta há mais de 15 anos. A proposta apresentada prevê intervenções laterais, sem alteração da estrutura principal.
As obras na Baixada têm previsão de conclusão até setembro, quando também deve começar a cobrança de pedágio nas pistas centrais.






