Professores das escolas particulares do Rio de Janeiro realizam uma greve de 24 horas nesta quarta-feira, em meio ao impasse nas negociações da campanha salarial da categoria. A paralisação pode afetar o funcionamento de unidades de ensino em diferentes regiões da cidade, mas a situação varia de escola para escola. Segundo o Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro e Região (Sinpro-Rio), pelo menos 19 instituições estão com as aulas paralisadas.
A greve foi aprovada pelos professores da Educação Básica da rede privada durante as negociações entre o Sinpro-Rio e o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Rio de Janeiro (Sinepe-Rio). No início desta manhã, houve pequenas manifestações na Avenida Ayrton Senna, na Barra da Tijuca, na Praça Antero de Quental, no Leblon, e Na Avenida Francisco Bicalho, na Leopoldina. Os docentes também farão um ato unificado no Largo do Machado, na Zona Sul.
Algumas instituições de ensino já confirmaram impacto da paralisação, enquanto outras decidiram manter as portas abertas.
Para Afonso Celso Teixeira, diretor do Sinpro-Rio, a greve é resultado de reivindicações que se acumulam há anos e de uma rotina de trabalho que vai além do tempo passado pelos professores dentro da sala de aula.
— As reivindicações têm sido feitas há anos. E o trabalho só aumenta. O professor chega em casa e continua trabalhando. O trabalho fora de sala de aula tem aumentado muito — enfatizou.
Segundo o Sinpro, professores do Colégio São Vicente, Édem, CEAT, Sá Pereira, Andrews, Escola da Travessa, Ogamitá, Habitat (Recreio), Cruzeiro (Centro e Jacarepaguá), Santa Teresa de Jesus, Nossa Senhora de Lurdes (Botafogo), QI (Barra, Recreio, Freguesia e Tijuca), Maria Felipa, Semente do Saber, Escola Jangada, Casa da Mangueira e Teresiano aderiram à paralisação. Ainda de acordo com o sindicato, as instituições Sagrado Coração de Maria, Franco Brasileiro e Colégio Santos Anjos têm educadores nos atos, mas não estão totalmente paralisados.
Impasse salarial
Entre as principais reivindicações dos professores está o reajuste salarial. O Sinpro-Rio afirma que a categoria reduziu de 8% para 6% o índice inicialmente reivindicado, enquanto a proposta apresentada pelo Sinepe-Rio foi de 3,77%, com retroatividade a abril.
A pauta também inclui a inclusão, nos salários, do equivalente a 3% referentes à hora-atividade, como forma de remunerar atividades realizadas fora da sala de aula, como planejamento, preparação de aulas, correção de provas e reuniões pedagógicas.
Segundo Afonso Celso Teixeira, esse trabalho extraclasse é um dos principais pontos da mobilização da categoria. A reivindicação é que esse tempo, necessário para o exercício da profissão, seja formalmente reconhecido na remuneração dos docentes.
A categoria reivindica ainda a criação de uma mesa paritária para discutir questões acadêmicas, um programa de equiparação salarial entre profissionais de diferentes segmentos da Educação Básica e a ampliação da licença-paternidade para 20 dias. Atualmente, segundo o Sinpro-Rio, professores da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I têm pisos inferiores aos dos profissionais de outras etapas da Educação Básica.








