Uma projeção recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) acendeu um sinal de alerta para o comércio exterior brasileiro. Caso as novas tarifas propostas pelo Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) entrem em vigor, o impacto sobre as exportações do Brasil será imediato e significativo. O relatório aponta que 31,6% das exportações brasileiras para os EUA passarão a ser taxadas em 37,5%, um salto drástico ante os atuais 10%. Essa mudança representa um aumento expressivo de 27,5 pontos percentuais na tributação.
Além disso, o estudo detalha que outros 3,6% dos embarques brasileiros para o mercado norte-americano seriam submetidos a uma tarifa de 12,5%, frente aos 10% cobrados atualmente, gerando uma elevação de 2,5 pontos percentuais. Somando os cenários, a CNI estima que 35,2% do total das exportações brasileiras para os Estados Unidos seriam diretamente alcançadas pelas novas medidas restritivas.
A justificativa envolve questionamentos a políticas e práticas do Brasil. Entre os pontos citados pelo USTR estão o funcionamento do PIX, os esforços no combate ao desmatamento ilegal, a pirataria e supostas falhas na aplicação de leis anticorrupção. Como resultado dessas avaliações, o órgão propôs a imposição de uma tarifa adicional generalizada de 25% sobre diversos produtos brasileiros.
Exceções Estratégicas: O órgão norte-americano, contudo, elaborou uma lista de exceções para itens considerados estratégicos pelos próprios Estados Unidos. Ficam de fora do aumento produtos como carne bovina, frutas, café, aeronaves e minerais de terras raras.
O cenário real pode ser ainda mais complexo para as empresas nacionais. Quando consideradas também as tarifas setoriais já aplicadas com base na Seção 232 da legislação comercial norte-americana, a parcela das exportações sujeitas a algum tipo de sobretaxa poderia chegar a 54,1%. Na prática, mais da metade dos produtos enviados aos EUA sofreria algum tipo de barreira alfandegária.










