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Psiquiatra descreve Jairinho como agressor com “padrão de perversidade” durante julgamento

Especialista ouvido no tribunal afirmou que ex-vereador demonstrava prazer em causar dor a crianças e citou relatos de agressões em relações anteriores

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Foto: Brunno Dantas/TJRJ

O terceiro dia do julgamento de Jairo Souza Santos Júnior e Monique Medeiros, acusados pela morte do menino Henry Borel, foi marcado pelo depoimento do psiquiatra Rafael Bernardon Ribeiro nesta quarta-feira (27/05). O especialista afirmou ter identificado, a partir da análise dos autos e de entrevistas, um “padrão repetitivo de abuso infantil” atribuído ao ex-vereador.

Segundo o médico, Jairinho demonstraria “prazer em infringir dor em crianças”. O psiquiatra explicou que elaborou um parecer indireto com base em documentos do processo, depoimentos e entrevistas com pessoas ligadas ao caso, sem contato direto com os réus.

Durante a audiência, Bernardon relatou conversas com ex-companheiras de Jairinho e familiares que descreveram episódios de violência envolvendo crianças. Entre os relatos, o médico destacou casos de agressões físicas e situações traumáticas que, segundo ele, deixaram marcas emocionais duradouras nas vítimas.

O especialista também comentou o comportamento de Monique Medeiros antes da morte de Henry. Para ele, a mãe da criança ignorou sinais de violência anteriores ao crime. O psiquiatra afirmou que ela não apresentou reação compatível com o “instinto de preservação materna” diante de episódios suspeitos envolvendo o filho.

A defesa de Monique tentou contestar o depoimento, argumentando que o médico não poderia apresentar diagnóstico sem avaliar diretamente os acusados. O pedido, no entanto, foi rejeitado pela juíza Elizabeth Machado Louro.

Rafael Bernardon foi contratado por Leniel Borel após a morte do menino. O psiquiatra é formado pela USP e possui especializações e pós-graduação em instituições do Brasil e do exterior.