A Justiça decidiu que quatro acusados pela morte do policial civil Carlos José Queiroz Vianna serão julgados pelo Tribunal do Júri. A decisão é da 3ª Vara Criminal de Niterói e mantém no processo dois ex-policiais militares e outros dois investigados. Ainda não há data marcada para o julgamento.
Entre os réus estão Fábio de Oliveira Ramos e Felipe Ramos Noronha, que eram policiais militares na época do crime. Segundo a investigação, os dois teriam participado do monitoramento da vítima antes do assassinato. Fábio, que era lotado no 3º BPM, no Méier, é acusado de acompanhar os passos do policial, dirigir o veículo utilizado na fuga e transportar armas e placas clonadas. Felipe, que pertencia ao 15º BPM, em Duque de Caxias, também teria participado do monitoramento e da execução.
Também irão a júri Mayck Júnior Pfister Pedro e Dênis da Silva Costa. De acordo com a investigação, Mayck teria registrado a rotina de Carlos José, inclusive nas proximidades da 29ª DP, em Madureira, onde o policial trabalhava, e da casa dele, em Piratininga.
Já Dênis é apontado como integrante do grupo que acompanhou a movimentação após o homicídio. A investigação afirma que ele teria atuado como “batedor” e participado da tentativa de destruir o Jeep Compass usado na fuga. Impressões digitais encontradas em um veículo e imagens de câmeras teriam ajudado a polícia a identificá-lo.
Os quatro acusados respondem por homicídio triplamente qualificado e adulteração de placa de veículo.
A juíza Juliana Grillo El Jaick destacou que a decisão de levar os acusados a júri não significa uma conclusão sobre a culpa. Segundo a magistrada, nesta fase é analisado se existem elementos suficientes para que a acusação seja submetida aos jurados. A definição sobre a responsabilidade dos réus caberá ao Tribunal do Júri.
Kiko é inocentado e deixa a prisão
O quinto denunciado, José Gomes da Rocha Neto, conhecido como Kiko, teve uma decisão diferente. Preso desde janeiro, sob suspeita de coordenar o assassinato, ele foi inocentado por falta de elementos considerados suficientes para demonstrar sua participação no crime.
Segundo a decisão, não foram encontradas na casa dele armas, munições, placas clonadas ou dinheiro relacionado ao homicídio. Também não haveria provas que o colocassem diretamente no monitoramento realizado antes da morte. Com a impronúncia, a Justiça determinou a soltura e Kiko deixou a prisão.
A investigação sobre quem teria ordenado a morte do policial continua. A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí analisa materiais apreendidos e informações obtidas a partir da quebra de sigilo de celulares.
Fábio e Felipe também foram expulsos da Polícia Militar em agosto, após decisão do Conselho Disciplinar. Segundo a corporação, os dois cometeram transgressão disciplinar grave relacionada ao envolvimento com veículos furtados, roubados ou clonados e ao porte ilegal de arma de fogo.
As investigações apontaram ainda que armas apreendidas com os suspeitos podem ter relação com outros dois homicídios ocorridos no estado, em 2023 e 2024. Os casos continuam sob investigação da Polícia Civil.
A defesa dos acusados nega as acusações ou busca questionar medidas judiciais, e as manifestações dos advogados devem ser consideradas no andamento do processo.








