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Quem é Nicolás Maduro e por que o chavismo entrou em rota de colisão com os EUA

Relação entre Washington e Caracas se deteriorou após a ascensão de Hugo Chávez e culminou na ofensiva anunciada por Trump

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Reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as Forças Armadas americanas capturaram e retiraram da Venezuela o líder Nicolás Maduro, juntamente com sua esposa, após um ataque em grande escala contra o país.

A ação representa a primeira iniciativa bem-sucedida de Washington com o objetivo direto de derrubar o chavismo, movimento político que governa a Venezuela há mais de duas décadas.

A operação marca o ponto mais extremo de uma longa trajetória de deterioração das relações entre os dois países, que se transformaram de parceiros estratégicos em adversários declarados ao longo dos últimos anos.

Do alinhamento à ruptura

A relação entre Estados Unidos e Venezuela começou a se deteriorar com a chegada de Hugo Chávez ao poder. Até então, Washington e Caracas mantinham uma convivência relativamente estável, sustentada sobretudo pelo comércio de petróleo e por interesses econômicos convergentes.

Antes mesmo de ser eleito presidente em 1998, Chávez já adotava um discurso nacionalista e protecionista. Em 1992, liderou uma tentativa fracassada de golpe de Estado, em um contexto ainda marcado pela memória recente da Guerra Fria e pelo histórico de ditaduras militares apoiadas pelos Estados Unidos em países da América Latina, como Brasil, Argentina e Chile. O anti-imperialismo tornou-se um dos pilares centrais de sua política externa.

Tentativa de golpe e desconfiança mútua

Em 2002, setores das elites venezuelanas, insatisfeitos com as políticas populistas de Chávez, articularam um golpe de Estado. A estratégia envolveu protestos que seriam reprimidos e apresentados como sinal de caos institucional.

Chávez chegou a ser afastado do cargo por dois dias, mas retomou o poder após a falta de apoio das Forças Armadas e a ausência de reconhecimento internacional.

O governo provisório que assumiu nesse intervalo foi rejeitado por países sul-americanos, mas reconhecido rapidamente pelos Estados Unidos, aprofundando a desconfiança entre Caracas e Washington e consolidando a narrativa chavista de ingerência externa.

A etapa anti-imperialista

Dois anos depois, em discurso em Caracas, Chávez declarou o início da chamada etapa anti-imperialista da Revolução Bolivariana, projeto de orientação socialista institucionalizado durante seu governo. O gesto marcou uma posição explícita de enfrentamento à influência dos Estados Unidos na América Latina.

A afinidade de Chávez com ideais socialistas, inspirados em Simón Bolívar, e sua aliança estratégica com o líder cubano Fidel Castro reforçaram esse posicionamento. Em 2006, durante discurso na Assembleia Geral da ONU, Chávez elevou a tensão diplomática ao criticar duramente a política externa americana e chamar o então presidente dos EUA, George W. Bush, de diabo.

Maduro herda o confronto

Após a morte de Chávez, em 2013, Nicolás Maduro assumiu a Presidência e manteve a mesma linha de confronto com Washington. Ex-chanceler e vice-presidente, ele herdou não apenas o projeto político chavista, mas também a animosidade com os Estados Unidos, em um cenário de queda de popularidade interna e agravamento da crise econômica e social.

Para Washington, o incômodo com o chavismo sempre envolveu não apenas interesses econômicos ligados às vastas reservas de petróleo venezuelanas, as maiores do mundo, mas também a influência regional exercida pelo bolivarianismo, que impulsionou a ascensão de governos de esquerda na América do Sul nos anos 2000.

Trump e a escalada final

Quando Donald Trump assumiu a Presidência dos Estados Unidos, em 2017, a tensão alcançou um novo patamar. Em 2019, com o enfraquecimento de governos de esquerda na região e o aumento do autoritarismo na Venezuela, o então presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, autoproclamou-se presidente do país.

O governo paralelo foi reconhecido por diversos países, sobretudo pelos Estados Unidos, que financiaram sua estrutura administrativa. A estratégia buscava forçar a saída de Maduro ou a convocação de novas eleições, sob a alegação de fraude no pleito de 2018. O governo interino durou até 2022, quando Guaidó perdeu apoio interno e deixou o cargo, refugiando-se nos Estados Unidos.

A captura de Maduro após o ataque em grande escala anunciado por Trump encerra simbolicamente esse ciclo de confrontos e inaugura um novo capítulo de incertezas para a Venezuela e para o equilíbrio político da América Latina.