Um levantamento divulgado nesta quarta-feira (20) pelo instituto Imazon, em parceria com outras organizações, traçou um amplo retrato da qualidade de vida nos municípios brasileiros e reforçou o tamanho das desigualdades regionais no país. O estudo, baseado no Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026, avaliou os 5.570 municípios brasileiros a partir de indicadores sociais e ambientais e concluiu que as cidades mais bem colocadas seguem concentradas nas regiões Sul e Sudeste, enquanto os piores desempenhos aparecem majoritariamente no Norte e no Nordeste.
Pelo terceiro ano consecutivo, a pequena cidade de Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, lidera o ranking nacional com 73,10 pontos em uma escala de 0 a 100. O município tem cerca de 4,8 mil habitantes. Na outra ponta aparece Uiramutã, em Roraima, com 42,44 pontos, ocupando a última posição entre todas as cidades avaliadas.
O estudo mostra que 18 das 20 cidades mais bem colocadas estão localizadas no Sul e Sudeste. Já entre os 20 piores resultados, 19 pertencem ao Norte e ao Nordeste, evidenciando um cenário persistente de desigualdade territorial.
O IPS Brasil utiliza 57 indicadores para medir qualidade de vida e desenvolvimento social. Diferentemente de indicadores econômicos tradicionais, como o Produto Interno Bruto (PIB), o índice busca avaliar se a riqueza gerada consegue se transformar efetivamente em bem-estar para a população.
“O IPS é um índice que surge de um entendimento de que desenvolvimento econômico, por si só, não corresponde necessariamente a desenvolvimento social”, afirmou Melissa Wilm, coordenadora do IPS Brasil.
“A proposta é medir o que realmente importa na vida das pessoas, diferente de métricas tradicionais, que olham principalmente o quanto foi gasto em determinada área, para olhar o que de fato as pessoas se beneficiaram com o investimento que foi feito”.
As 20 cidades com melhor qualidade de vida do Brasil
Gavião Peixoto (SP) — 73,10
Jundiaí (SP) — 71,80
Osvaldo Cruz (SP) — 71,76
Pompéia (SP) — 71,76
Curitiba (PR) — 71,29
Nova Lima (MG) — 71,22
Gabriel Monteiro (SP) — 71,16
Cornélio Procópio (PR) — 71,16
Luzerna (SC) — 71,10
Itupeva (SP) — 71,08
Rafard (SP) — 71,08
Presidente Lucena (RS) — 71,05
Adamantina (SP) — 70,97
Maringá (PR) — 70,87
Alto Alegre (RS) — 70,86
Ribeirão Preto (SP) — 70,80
Brasília (DF) — 70,73
Barra Bonita (SP) — 70,71
Araraquara (SP) — 70,70
Águas de São Pedro (SP) — 70,66
O Rio de Janeiro aparece na 11ª colocação entre as capitais, com 67 pontos. Já as piores notas ficaram com Macapá e Porto Velho, únicas capitais fora do grupo dos melhores desempenhos nacionais.
Confira o ranking das capitais
Curitiba (PR) — 71,29
Brasília (DF) — 70,73
São Paulo (SP) — 70,64
Campo Grande (MS) — 69,77
Belo Horizonte (MG) — 69,66
Goiânia (GO) — 69,47
Palmas (TO) — 68,91
Florianópolis (SC) — 68,73
João Pessoa (PB) — 67,73
Cuiabá (MT) — 67,22
Rio de Janeiro (RJ) — 67,00
Porto Alegre (RS) — 66,94
Natal (RN) — 66,82
Aracaju (SE) — 66,35
Vitória (ES) — 66,02
Teresina (PI) — 66,02
São Luís (MA) — 65,64
Fortaleza (CE) — 65,15
Boa Vista (RR) — 64,49
Manaus (AM) — 63,91
Belém (PA) — 63,90
Rio Branco (AC) — 63,44
Recife (PE) — 63,22
Salvador (BA) — 62,18
Maceió (AL) — 61,96
Macapá (AP) — 59,65
Porto Velho (RO) — 58,59
As 20 cidades com pior qualidade de vida do Brasil
Uiramutã (RR) — 42,44
Jacareacanga (PA) — 44,32
Alto Alegre (RR) — 44,72
Portel (PA) — 45,42
Amajari (RR) — 45,58
Pacajá (PA) — 45,87
Anapu (PA) — 45,91
Japorã (MS) — 46,23
Santa Rosa do Purus (AC) — 46,70
Uruará (PA) — 46,80
Trairão (PA) — 46,82
Bannach (PA) — 47,23
São Félix do Xingu (PA) — 47,38
Recursolândia (TO) — 47,39
Cumaru do Norte (PA) — 47,43
Peritoró (MA) — 47,53
Oeiras do Pará (PA) — 47,57
Ladainha (MG) — 47,58
Anajás (PA) — 47,62
Paranã (TO) — 47,63
Ranking dos cinco estados mais bem colocados:
Distrito Federal — 70,73
São Paulo — 67,96
Santa Catarina — 65,58
Paraná — 65,21
Minas Gerais — 64,66
Os cinco piores desempenhos estaduais foram:
Rondônia — 58,60
Amapá — 58,10
Acre — 58,03
Maranhão — 57,59
Pará — 55,80
Embora a média nacional tenha melhorado ligeiramente, passando de 63,05 em 2025 para 63,40 em 2026, os especialistas classificam o avanço como lento. Entre os componentes avaliados, o maior avanço ocorreu na área de Acesso à Informação e Comunicação, impulsionado pela ampliação do acesso à internet, tecnologia e meios de comunicação.
Por outro lado, Inclusão Social apresentou piora na série histórica. O componente considera indicadores relacionados à violência contra minorias, representatividade política de mulheres e pessoas negras, além da situação de famílias em condição de vulnerabilidade social.
O estudo aponta ainda que Moradia continua sendo a área mais bem avaliada do país, com média de 87,95 pontos. Já Direitos Individuais aparece como o componente mais crítico, alcançando média nacional de apenas 39,14 pontos.










