O Diretório Nacional do partido Rede Sustentabilidade aprovou, nesta segunda-feira (9), por unanimidade a continuidade da federação com o PSOL pelos próximos quatro anos: foram 68 votos favoráveis e nenhum contrário.
A decisão consolida o arranjo político do campo progressista nas eleições de 2026.
A votação ocorre poucos dias após o próprio PSOL deliberar pela renovação da aliança com a Rede. A federação entre os dois partidos foi criada para as eleições de 2022.
No debate interno da Rede, a deputada federal Heloisa Helena, coordenadora nacional de organização do partido, defendeu a continuidade da parceria e destacou que a legenda respeita a autonomia das decisões tomadas pelo aliado.
“Respeitamos a decisão do PSOL, como respeitaríamos se fosse diferente. Assim sendo, caminharemos juntos na federação PSOL-Rede, com toda coerência ideológica que a dura realidade, de sofrimento social e muito banditismo político, nos impõe”, afirmou.
A manutenção da federação PSOL-Rede também reflete uma disputa dentro do campo da esquerda. A tentativa do PT de ampliar a Federação Brasil da Esperança, formada por Partido dos Trabalhadores, Partido Comunista do Brasil e Partido Verde, esbarrou em resistência interna no PSOL.
A articulação contou com o apoio de nomes influentes da legenda, como o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e a deputada federal Erika Hilton.
Ainda assim, a proposta de “casamento” foi rejeitada por ampla maioria: 75,8% dos integrantes do Diretório Nacional votaram contra a entrada do PSOL na federação liderada pelo PT.
O resultado reforça a estratégia do PSOL de manter independência em relação ao PT, mesmo com apoio político ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Criadas pela reforma eleitoral de 2021, as federações partidárias funcionam como alianças de longo prazo. Os partidos federados precisam atuar juntos por pelo menos quatro anos, compartilhando bancada e estratégia eleitoral.
Para as eleições de 2026, a federação PSOL-Rede precisará eleger ao menos 13 deputados federais ou alcançar 2,5% dos votos válidos para a Câmara dos Deputados, distribuídos em pelo menos nove unidades da federação.
Em 2022, a aliança superou a cláusula de desempenho, ao obter 4,29% dos votos nacionais e eleger 14 deputados federais.






