O Brasil registrou 6.904 vítimas de feminicídio consumado ou tentado em 2025, segundo o Relatório Anual de Feminicídios elaborado pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (Lesfem/UEL). O total inclui 2.149 assassinatos e 4.755 tentativas — média de quase seis mulheres mortas por dia.
O levantamento é 38,8% superior aos dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, divulgados pelo Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), que registrou 1.548 mortes no mesmo período. Para as pesquisadoras, a diferença revela subnotificação, causada tanto pela falta de denúncias quanto pela ausência de tipificação correta dos crimes.
A maioria dos casos ocorreu no âmbito íntimo: 75% foram praticados por companheiros, ex-companheiros ou pessoas próximas. Grande parte das vítimas tinha entre 25 e 34 anos, e ao menos 22% já haviam denunciado os agressores anteriormente.
O estudo também aponta que 69% das mulheres tinham filhos ou dependentes, deixando mais de 1.600 crianças órfãs. Quase metade dos crimes foi cometida com arma branca.
Segundo o Lesfem, o feminicídio é resultado de ciclos contínuos de violência e reflete desigualdades estruturais, como machismo e misoginia, ainda presentes na sociedade brasileira.






