Ouça agora

Ao vivo

Reproduzir
Pausar
Sorry, no results.
Please try another keyword
Assessor de Vini Jr. e Lucas Paquetá é baleado em tentativa de assalto no Rio
Rio de Janeiro
Assessor de Vini Jr. e Lucas Paquetá é baleado em tentativa de assalto no Rio
PF apreende R$ 400 mil em espécie com empresário em Campos dos Goytacazes
Noroeste Fluminense
PF apreende R$ 400 mil em espécie com empresário em Campos dos Goytacazes
Datafolha: Distância entre Lula e Flávio Bolsonaro encurta e indica empate técnico
Política
Datafolha: Distância entre Lula e Flávio Bolsonaro encurta e indica empate técnico
Procons lançam protocolo “Não é Não” em bares e casas noturnas
Brasil
Procons lançam protocolo “Não é Não” em bares e casas noturnas
Agora é lei: Concessionárias do Rio deverão ressarcir consumidores por falta de água e luz
Rio de Janeiro
Agora é lei: Concessionárias do Rio deverão ressarcir consumidores por falta de água e luz
RioLuz lança Projeto Crias da Luz para formar agentes de iluminação pública no Rio
Rio de Janeiro
RioLuz lança Projeto Crias da Luz para formar agentes de iluminação pública no Rio
Envolvidos na morte do advogado Rodrigo Crespo são condenados a 30 anos de prisão
Rio de Janeiro
Envolvidos na morte do advogado Rodrigo Crespo são condenados a 30 anos de prisão

Relatório denuncia tortura de venezuelanos deportados dos EUA para prisão em El Salvador

Detentos descrevem rotina de abusos, ameaças e sofrimento psicológico dentro do Cecot

Siga-nos no

Um relatório conjunto da Human Rights Watch (HRW) e do grupo centro-americano Cristosal denuncia que dezenas de venezuelanos deportados dos Estados Unidos para uma prisão de El Salvador foram submetidos a tortura e outros abusos graves, incluindo violência sexual. O documento, divulgado nesta quarta-feira (12), reúne relatos de 40 dos 252 deportados enviados no início do ano ao Centro de Confinamento contra o Terrorismo (Cecot), conhecido por suas condições extremas de encarceramento.

Segundo o relatório, os detentos descrevem espancamentos constantes, confinamento solitário e ameaças de morte. Alguns afirmaram ter sido levados “à beira do suicídio”. Os autores do documento acusam o sistema prisional salvadorenho de violações sistemáticas de direitos humanos e responsabilizam a administração Trump por cumplicidade em tortura, desaparecimentos forçados e abusos.

Um dos relatos mais impactantes é o de Gonzalo, venezuelano de 26 anos, que disse ter sido agredido logo ao desembarcar. “O pesadelo começou no momento em que me tiraram do avião. Um funcionário da prisão disse: ‘Vocês chegaram ao inferno’”, relatou. Outros presos contaram que eram agredidos com chutes, socos e cassetetes, e que guardas diziam que nunca sairiam vivos.

O documento também registra três casos de violência sexual e diversos episódios de humilhação e privação psicológica. Um dos detentos, identificado como Nelson, afirmou ter pensado em tirar a própria vida: “Eu queria me matar porque achava que estaria melhor morto. No fim, só Deus e minha família me deram força para continuar.”

As denúncias confirmam informações divulgadas em julho, quando ex-detentos libertados do Cecot relataram à CNN episódios semelhantes de espancamentos, castigos arbitrários e isolamento. Um deles, o maquiador Andry Hernández, descreveu o local como “o inferno do Cecot”.

O Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS), em nota à CNN, defendeu as deportações, afirmando que cerca de 300 integrantes das gangues Tren de Aragua e MS-13 foram enviados ao Cecot “para não representarem mais ameaça ao povo americano”.

No entanto, a HRW e a Cristosal afirmam que metade dos deportados não tinha antecedentes criminais, e apenas 3% haviam sido condenados por crimes violentos. Entre os entrevistados, há relatos de que os presos foram acusados injustamente de pertencer a organizações criminosas.

Um dos deportados, José Mora, contou que os guardas “torturavam física e psicologicamente” os detentos. Segundo ele, uma greve por direitos básicos — como o acesso a advogados — foi reprimida com tiros de balas de borracha disparados à queima-roupa dentro das celas.

O governo de El Salvador, que já havia sido questionado por organizações internacionais, nega as acusações e afirma que o sistema penitenciário “cumpre os padrões de segurança e respeita os direitos humanos, independentemente da nacionalidade”.