O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025 e é alvo de uma outra investigação da Polícia Federal (PF) que apura fraudes em transações financeiras da ordem de R$ 12,2 bilhões envolvendo a instituição e o BRB, banco estatal de Brasília.
“A omissão na apresentação de mais de 250 mil contratos constitui uma falha grave e insanável, que lança dúvidas fundadas sobre a existência jurídica e a validade do consentimento dos beneficiários em um percentual alarmante das consignações”, diz a análise do INSS, produzida pela Coordenação De Pagamentos e Gestão De Benefícios do INSS, em novembro de 2025. As informações foram reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmadas pelo GLOBO.
Segundo os técnicos da autarquia, a maioria dos contratos apresentados não tinha “qualquer comprovação idônea da assinatura ou do consentimento do segurado, seja por meio físico ou por validação biométrica segura e auditável”, o que levantou suspeitas de que o crédito estava sendo concedido sem o conhecimento do aposentado ou pensionista.
O consignado é uma modalidade de empréstimo na qual as parcelas são descontadas diretamente da aposentadoria do tomador antes que o dinheiro caia na conta.
O relatório do INSS aponta que a falta de comprovação traz “riscos elevados de fraudes” à população idosa. “A ausência de prova inequívoca da vontade do beneficiário compromete a validade jurídica dos empréstimos e expõe uma população vulnerável, composta majoritariamente por idosos e pessoas com deficiência, a riscos elevados de fraudes e descontos indevidos em seus benefícios de caráter alimentar”, diz o texto.
Os 251.718 contratos em que foram identificadas a ausência de documentos representam 74,3% do total de acordos, de 338.608, firmados pelo Banco Master em um período de outubro de 2021 a setembro de 2025.
Procurado, o Master não se posicionou.
O INSS, por sua vez, informou que o Master tentou firmar um “termo de compromisso” para regularizar a situação no segundo semestre do ano passado. A direção da autarquia, então, cobrou documentos que comprovassem que as assinaturas digitais dos consignados eram mesmo dos beneficiários por meio de um QR Code – o que não foi feito e o termo não foi assinado. Depois, o Master foi liquidado por um decreto do Banco Central.






