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Relatório do MPRJ aponta falhas em câmeras do Bope e levanta dúvidas sobre megaoperação com 122 mortos

Análise enviada ao STF indica retirada de equipamentos em parte dos registros, ausência de prisões em vídeos e segue investigação sobre a ação nos complexos do Alemão e da Penha

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Foto: Reprodução TV Globo

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) concluiu a análise das imagens das Câmeras Operacionais Portáteis usadas por policiais do Bope durante a chamada megaoperação “Contenção”, realizada nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio.

A operação, ocorrida em 28 de outubro de 2025, deixou 122 mortos — sendo 117 suspeitos e cinco policiais.

Segundo relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (Supremo Tribunal Federal), os investigadores analisaram registros de 51 policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e identificaram que, em 17,6% dos casos, houve retirada das câmeras durante a ação. Em outros 7,8% das imagens, foram apontados indícios de possível obstrução intencional das gravações.

O documento também informa que, em parte dos registros, aparecem pessoas feridas sendo socorridas pelos agentes. Já em nenhum dos vídeos analisados até o momento foram registradas prisões realizadas pelos policiais do grupo investigado.

O MPRJ afirma que a análise ainda está em fase inicial e que o material será cruzado com outros elementos da investigação. Ao todo, mais de 3.600 horas de gravações produzidas por policiais militares estão sendo examinadas.

Paralelamente, o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública também ouve agentes que participaram da operação. Até agora, mais de 200 policiais já prestaram depoimento.

O relatório ainda relata dificuldades de acesso às áreas após a operação. Segundo o Ministério Público, relatórios de inteligência chegaram a recomendar a não entrada de equipes nas comunidades por risco à segurança.

Mesmo assim, uma vistoria posterior por drone indicou que o tráfico teria retomado atividades em pouco tempo, com circulação de homens armados, barricadas e possíveis pontos de venda de drogas nos complexos do Alemão e da Penha.

O Ministério Público também ouviu familiares das vítimas. Até o momento, menos de um terço dos parentes identificados prestaram depoimento aos investigadores.