Em uma mobilização inédita que une fé, direito e segurança pública, a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro sediou, na última segunda-feira (13), a primeira reunião de planejamento da campanha “Não ao Feminicídio – Mulher Luz da Humanidade”. O encontro, presidido pelo Arcebispo Metropolitano do Rio, Cardeal Dom Orani João Tempesta, traçou as primeiras diretrizes para uma rede integrada de prevenção à violência de gênero e acolhimento às vítimas no estado.
Promovida em parceria pelo Instituto Religare, pela Comissão Diálogo e Paz, e pela Expo Religião, a iniciativa quer transformar a capilaridade das instituições religiosas em ferramentas ativas de proteção social.
Templos como pontos de primeira escuta
Durante a reunião, foram definidos os primeiros grupos de trabalho e o cronograma das próximas etapas. Entre as propostas mais urgentes debatidas pelo comitê está a criação de uma rede inter-religiosa de acolhimento. A ideia é capacitar templos e espaços sagrados para que funcionem como pontos de primeira escuta e orientação segura para mulheres em situação de vulnerabilidade.
Além do acolhimento institucional, a campanha foca na cooperação técnica e de segurança, prevendo:
- Articulação com órgãos públicos: Estreitar o canal de denúncias e fluxos de atendimento com a rede de proteção estadual e municipal.
- Monitoramento de agressores: Apoiar o aperfeiçoamento de mecanismos de fiscalização judicial, como o uso de tornozeleiras eletrônicas em homens processados ou condenados, conforme previsto em lei.
Aliança histórica contra a violência
O encontro chamou a atenção pela ampla diversidade de credos reunidos em torno da mesma causa. Estiveram presentes lideranças da Igreja Católica, igrejas evangélicas, espiritismo, judaísmo, islamismo, fé bahá’í, Hare Krishna, Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, umbanda, religiões de matriz africana, xamanismo e tradição de Ifá.
Do lado jurídico e policial, a mesa de debates contou com representantes do Ministério Público, da Polícia Civil, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e de diversas organizações civis ligadas à defesa dos direitos das mulheres.
“A defesa da vida e da dignidade da mulher exige união entre instituições públicas, comunidades de fé e sociedade civil. As religiões podem e devem contribuir diretamente para a promoção da cultura da paz, a prevenção da violência e o acolhimento dessas vítimas” — Dom Orani João Tempesta, Arcebispo Metropolitano do Rio.
Ao término do encontro, os participantes assinaram um compromisso de transformar a ação em uma mobilização permanente no Rio de Janeiro. A próxima etapa do projeto consistirá na consolidação das equipes temáticas de trabalho e na divulgação do calendário das primeiras ações públicas da campanha.








