A Executiva Nacional do Republicanos decidiu por unanimidade, em convenção nacional realizada em Brasília, que o partido adotará neutralidade jurídica e não apoiará formalmente nenhuma candidatura na eleição presidencial deste ano. Com essa determinação, a legenda não lançará candidato próprio ao Palácio do Planalto e ficará totalmente de fora de qualquer coligação na disputa pela eleição majoritária nacional.
A medida frustra de forma direta os planos do articulador e pré-candidato do PL, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O parlamentar tentava formalizar uma aliança com o Republicanos para encorpar seu tempo de propaganda na televisão e no rádio, além de tentar emplacar a economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, na vaga de candidata a vice-presidente.
Consulta prévia expõe racha e divergências regionais
O presidente nacional do partido, deputado federal Marcos Pereira (SP), detalhou o resultado do mapeamento interno feito junto às lideranças antes do fechamento do martelo. A consulta prévia apontou uma vitória folgada da tese de independência partidária, com dezessete diretórios estaduais votando a favor da total neutralidade.
Por outro lado, nove diretórios defenderam o apoio formal à candidatura de Flávio Bolsonaro, incluindo o diretório de São Paulo, liderado pelo governador Tarcísio de Freitas. Um único diretório, o de Pernambuco, manifestou preferência pelo apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Diante das divergências regionais, a cúpula nacional avaliou que liberar os estados era o único caminho para evitar o racha na base.
Foco estratégico passa a ser a ampliação das bancadas no Congresso
A cúpula do Republicanos indicou que a decisão preserva o crescimento e a unidade da sigla frente a um cenário eleitoral altamente polarizado. A prioridade máxima estabelecida pelo partido passou a ser a ampliação das bancadas na Câmara dos Deputados e no Senado, liberando os estados para costurar alianças estratégicas locais sem as amarras de um alinhamento federal obrigatório.
Acompanharam a convenção nomes de peso da legenda, como o presidente da Câmara, Hugo Motta (PB) — apontado nos bastidores como um dos principais fiadores da neutralidade nacional para atuar com mais liberdade em seu estado natal —, e os senadores Damares Alves (DF) e Hamilton Mourão (RS). O governador Tarcísio de Freitas não compareceu presencialmente, enviando em seu lugar o secretário-chefe da Casa Civil do estado para acompanhar a votação.
Pressão sobre o PL aumenta na busca por alianças
A perda do palanque do Republicanos aprofunda o isolamento da pré-candidatura do PL na corrida presidencial. Na última semana, o Progressistas (PP) e o União Brasil, que atuam em federação institucional, também já haviam anunciado que permanecerão neutros no pleito nacional deste ano.
Sem conseguir atrair as grandes siglas do chamado Centrão, a coordenação da campanha do Partido Liberal avalia recorrer a uma “chapa pura”. Com o novo cenário, os articuladores da legenda passam a estudar alternativas internas e nomes da própria sigla para compor a vaga de vice na chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro.








