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Rio e SP integram câmeras com reconhecimento facial para ampliar busca por desaparecidos

A medida é resultado de uma parceria entre Ministérios Públicos e órgãos de segurança

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reprodução

As câmeras inteligentes de reconhecimento facial do Rio de Janeiro e de São Paulo passarão a atuar de forma integrada na busca por pessoas desaparecidas. A medida, viabilizada por um acordo de cooperação técnica firmado entre o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) e a Secretaria Municipal de Segurança Urbana da capital paulista, permitirá que imagens de pessoas registradas como desaparecidas sejam inseridas simultaneamente nas redes de videomonitoramento das duas cidades, ampliando o alcance das buscas.

Rio de Janeiro e São Paulo concentram 71% dos registros de desaparecimento do país cadastrados no Sistema Nacional de Localização e Identificação de Desaparecidos (Sinalid), plataforma mantida pelo MPRJ e utilizada pelos Ministérios Públicos de todo o país. Dos 115,4 mil casos inseridos na plataforma, 42,8 mil são do estado do Rio e 38,8 mil de São Paulo. Mantido pelo MPRJ e utilizado por todos os Ministérios Públicos do país, o sistema reúne informações que auxiliam órgãos de segurança e instituições públicas na localização de pessoas desaparecidas.

A integração une o sistema de câmeras do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), no Rio, ao Smart Sampa, na capital paulista. A iniciativa amplia uma parceria firmada pelo MPRJ com a Polícia Militar do Rio em novembro do ano passado e permitirá que qualquer pessoa cadastrada no Sinalid possa ter sua imagem compartilhada entre as duas redes, desde que haja autorização dos familiares ou responsáveis.

Casos solucionados
Criado em 2017, o Sinalid já atuou com êxito em 33.236 ocorrências de desaparecimento e situações correlatas, número que inclui tanto os casos em que a localização foi efetivamente alcançada pela rede quanto aqueles em que os familiares conseguiram encontrar a pessoa após o registro.

Apenas no Estado do Rio, 13.406 pessoas foram localizadas, sendo que, em pelo menos 1.485 casos, a atuação do Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos (PLID) do MPRJ foi considerada decisiva. Somente entre janeiro e junho deste ano, o sistema registrou sucesso em 3.125 ocorrências.

Segundo o gestor do PLID/MPRJ, André Luiz de Souza Cruz, os dados do sistema mostram que o desaparecimento é um fenômeno complexo e, na maior parte das vezes, não está associado a crimes. De acordo com o levantamento, 59,2% dos registros não apresentam uma causa aparente. Entre os motivos identificados estão perda voluntária de contato (11,8%), dependência química (14,6%) e transtornos psiquiátricos (10,3%).