Acidade do Rio de Janeiro registrou 2.121 chamados para vistoria por ameaça de desabamento de estruturas entre janeiro e setembro de 2026. O número já é maior que o total contabilizado durante todo o ano passado, quando foram registradas 2.005 solicitações pelo serviço 1746, da Prefeitura.
O aumento dos registros ocorre enquanto diferentes regiões da cidade enfrentam problemas relacionados à conservação de imóveis. No sábado, o desabamento parcial de um casarão no Cosme Velho, na Zona Sul, deixou uma mulher de 43 anos e a filha dela, de 2, feridas.
Dos chamados registrados neste ano, 1.244 foram solucionados e 65 permanecem em aberto. A Zona Norte concentra a maior quantidade de solicitações, com 1.074 registros. Tijuca e Engenho Novo aparecem entre os bairros com mais ocorrências na região. Na Zona Oeste, Campo Grande lidera, com 122 chamados.
Casarão do Cosme Velho já havia sido interditado
O imóvel que desabou na Rua Cosme Velho já era conhecido pela Prefeitura e por moradores da região. Segundo o município, a Defesa Civil realizou três vistorias no local.
A primeira ocorreu em 2023, quando o proprietário foi orientado a realizar obras de recuperação. Em duas novas inspeções, feitas em 2025, os técnicos constataram que as intervenções não haviam sido realizadas. O imóvel acabou interditado, e a Secretaria municipal de Desenvolvimento Urbano também intimou o proprietário a recuperar a construção, incluindo a fachada.
Seis meses antes do acidente, a associação Viva Cosme Velho havia encaminhado à Subprefeitura da Zona Sul um dossiê de 51 páginas sobre problemas identificados em cinco casarões da região. O imóvel de número 370, onde ocorreu o desabamento, estava entre os citados.
Documento apontava problemas na estrutura
O levantamento da associação mencionava infiltrações, revestimentos se desprendendo, esquadrias danificadas, problemas no telhado e avanço de vegetação sobre a construção.
O documento também registrava a existência de uma faixa de interdição instalada pela Defesa Civil e apontava a falta de uma alternativa segura de circulação para moradores da vila vizinha ao casarão.
Segundo a associação Viva Cosme Velho, um novo pedido de vistoria foi feito pelo 1746 no fim de 2025. A Defesa Civil esteve no local e instalou a faixa de interdição.
— A associação vem denunciando e fazendo pedidos à prefeitura não só para esse casarão, mas para outros imóveis que também estão em risco. Fizemos um pedido pelo 1746 no fim de 2025, a Defesa Civil veio aqui e colocou a faixa. Nós voltamos a insistir, mas infelizmente aconteceu essa tragédia — afirmou Luciana Falcão, integrante da associação e moradora da região.
Mãe e filha ficaram feridas
O desabamento ocorreu por volta das 9h de sábado. Mãe e filha passavam pelo corredor de acesso à vila onde moram quando parte do segundo pavimento do casarão caiu sobre elas. A criança estava em um carrinho.
As duas continuam internadas em um hospital particular. O quadro da saúde da mulher é estável. A criança precisou passar por um procedimento cirúrgico e inspira cuidados.
Após o acidente, a Prefeitura anunciou a desapropriação do casarão. A Defesa Civil também interditou o segundo pavimento do imóvel vizinho, atingido pelos escombros.
Os andares superiores das construções deverão ser demolidos pela Secretaria municipal de Conservação. A Comlurb ficou responsável pela retirada dos destroços.
Moradores afirmam que os problemas no imóvel eram antigos. Michael Rock, que vive no Cosme Velho há cerca de 20 anos, relatou que outras partes da construção já haviam atingido uma pessoa anteriormente.
Segundo ele, a situação do casarão teria se agravado após a pandemia, quando uma padaria que funcionava no local fechou.








