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Rio lidera obesidade no país e 75,6% da população adulta tem excesso de peso

Santuário Cristo Redentor será iluminado de roxo hoje como símbolo de conscientização sobre a doença.

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Imagem produzida por Inteligência Artificial

O Rio de Janeiro tem hoje 75,6% da população adulta com excesso de peso, somando casos de sobrepeso e obesidade. Os dados são do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), do Ministério da Saúde, que acompanha pessoas atendidas pela rede pública.

Segundo o levantamento, 44,5% dos adultos monitorados já vivem com obesidade, o equivalente a 128.229 pessoas. Quando o sobrepeso é incluído na conta, o número chega a 217.870 pessoas.

O cenário coloca o Rio como a capital com maior número de obesos do país, de acordo com o Atlas Mundial da Obesidade 2025, publicado pela Federação Mundial da Obesidade (WOF).

Cristo Redentor iluminado para chamar atenção ao problema
Na semana do Dia Mundial de Combate à Obesidade, celebrado oficialmente em 4 de março, entidades médicas realizam uma mobilização no Santuário Cristo Redentor. O monumento será iluminado de roxo nesta quinta-feira (5/03) como símbolo de conscientização sobre a doença.

A iniciativa é organizada pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), em parceria com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e o Consórcio Cristo Sustentável.

Segundo o presidente da Abeso, Fábio Trujilho, a ideia é tornar o tema mais visível na sociedade. “A obesidade costuma ser naturalizada, diluída em rotinas urbanas, alimentação ultraprocessada, sedentarismo e falta de tempo. Nosso objetivo é mostrar que não se trata de um tema periférico, mas de uma doença que dá sinais na infância, atravessa a adolescência e ganha escala na vida adulta”, afirmou.

Mutirão nacional de cirurgias bariátricas
A mobilização também inclui um mutirão nacional de cirurgias bariátricas, organizado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM). No Rio de Janeiro, estão previstas dez cirurgias, sendo cinco delas nesta sexta-feira (6).

Os procedimentos acontecerão no Hospital São Francisco na Providência de Deus e no Hospital Federal de Ipanema. A cidade de Volta Redonda também terá ações relacionadas à iniciativa.

Em todo o país, o mutirão prevê 200 cirurgias em 22 hospitais públicos de 12 estados, com objetivo de ampliar o acesso ao tratamento de pacientes com obesidade grave.

Segundo levantamento da SBCBM, entre 2020 e 2024 foram realizadas 291.731 cirurgias bariátricas no Brasil. A grande maioria ocorreu na rede privada: 260.380 procedimentos por planos de saúde, contra 31.351 realizados pelo SUS.

Para o presidente da entidade, Juliano Canavarros, o acesso ao tratamento ainda é muito limitado. “Nos últimos cinco anos menos de 1% da população com indicação para a cirurgia conseguiu ter acesso ao tratamento”, afirmou.

Problema começa cedo
Os dados do Sisvan também mostram que o excesso de peso aparece cada vez mais cedo. Em 2026, cerca de 7% das crianças de até cinco anos já apresentam peso elevado para a idade.

Na adolescência, o quadro se intensifica: 35,7% dos jovens têm excesso de peso, e 15,4% já estão na faixa de obesidade.

Para o vice-presidente da Abeso, Bruno Halpern, é fundamental discutir o tema ao longo de todo o ciclo da vida. “A ideia é passar a mensagem de que o problema não começa no adulto, mas se forma ao longo da vida e pode ser prevenido mais cedo”, afirmou.