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Rio responde por 42% das mortes de policiais no Brasil em 2025

Estado registrou 77 agentes mortos no ano passado, enquanto o país teve queda no total de óbitos de policiais e alta na letalidade policial

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reprodução

O Rio de Janeiro concentrou quase metade das mortes de policiais registradas no Brasil em 2025 e voltou a ocupar posição central no debate sobre segurança pública e violência letal. Ao longo do ano passado, 77 agentes de segurança foram mortos no estado, número que representa cerca de 42% de todos os óbitos de policiais no país e uma alta de 35% em relação a 2024.

Os dados constam em levantamento divulgado nesta terça-feira (3) pelo Ministério da Justiça com base em informações enviadas pelas secretarias estaduais de Segurança Pública. No ano anterior, o Rio havia registrado 57 mortes de policiais e respondia por 28% do total nacional, o que evidencia um crescimento proporcional significativo.

Apesar de o número absoluto chamar atenção, o cenário fluminense se insere em um contexto nacional de queda nas mortes de agentes de segurança. Em todo o Brasil, 185 policiais morreram em 2025, uma redução de 8% na comparação com 2024, quando foram contabilizados 202 casos.

Letalidade policial cresce no país

Enquanto o Rio lidera a estatística de policiais mortos, o Brasil como um todo registrou aumento nas mortes causadas por ações policiais. Em 2025, 6.519 pessoas foram mortas pelas polícias dos estados brasileiros, alta de 4,5% em relação ao ano anterior — o equivalente a uma média de 18 mortes por dia.

As mortes cometidas por policiais são contabilizadas separadamente das chamadas mortes violentas intencionais, que incluem homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte. Ainda assim, o crescimento é expressivo: em dez anos, o número de pessoas mortas por policiais no país aumentou 170%.

Rio entre os estados com maior número de ocorrências

Em números absolutos, o Rio de Janeiro aparece entre os estados que mais registraram mortes cometidas por policiais em 2025, com 798 casos. O estado fica atrás apenas da Bahia, que lidera o ranking com 1.569 mortes, e de São Paulo, que contabilizou 835 ocorrências no período.

Quando analisadas as taxas proporcionais por 100 mil habitantes, os índices mais elevados foram observados no Amapá (17,11), na Bahia (10,55) e no Pará (7,28). Embora o Rio não lidere essa métrica, os números absolutos reforçam o peso do estado no panorama nacional da letalidade policial.

Suicídios de policiais recuam, mas seguem como alerta

Outro dado relevante para o Rio de Janeiro é a queda acentuada nos casos de suicídio entre policiais. Em 2025, o estado registrou sete ocorrências, uma redução de 60% em relação a 2024, quando foram contabilizados 18 casos.

No cenário nacional, os suicídios de agentes de segurança também diminuíram, passando de 151 para 131 registros, queda de 13%. Ainda assim, os dados indicam que um policial comete suicídio a cada três dias no Brasil. São Paulo destoou da tendência e apresentou aumento de 65%, com os casos saltando de 17 para 28.

Retrato de uma década

Nos últimos dez anos, o Brasil perdeu 1.303 agentes de segurança pública por suicídio. A maioria das vítimas era formada por policiais militares, com 865 casos, o equivalente a 64% do total. Policiais civis somaram 237 mortes, ou 18%.

O conjunto dos dados reforça a complexidade do cenário fluminense, que concentra parte expressiva das mortes de policiais no país, ao mesmo tempo em que integra um contexto nacional marcado pelo avanço da letalidade policial e pelos desafios persistentes na proteção da vida — tanto da população quanto dos próprios agentes de segurança.