A disputa pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro sofreu uma nova reviravolta nesta terça-feira (11). O ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa (PP) anunciou oficialmente seu apoio à candidatura de Eduardo Paes (PSD). Até o dia 19 de julho, Lisboa integrava a chapa como candidato a vice de Douglas Ruas (PL). O rompimento altera o cenário político regional e impacta diretamente a estratégia eleitoral fluminense.
A saída inicial de Lisboa foi tratada pelo PP como uma decisão de caráter estritamente pessoal. Mesmo assim, semanas depois, o ex-gestor optou por subir no palanque do principal adversário do PL. Com essa adesão, Eduardo Paes consolida alianças estratégicas nas duas maiores cidades da Baixada. Em Duque de Caxias, a vice da chapa é Jane Reis (MDB), irmã do ex-prefeito Washington Reis.
Já em Nova Iguaçu, Paes recebe o endosso de uma liderança que governou o município por dois mandatos. Rogério Lisboa administrou a cidade entre 2017 e 2024 e elegeu seu sucessor, Dudu Reina, no primeiro turno. A força dessas alianças reflete a relevância demográfica e política da região metropolitana do estado. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral, Duque de Caxias possui 635.079 eleitores aptos a votar.
Nova Iguaçu soma outros 615.377 eleitores em seu cadastro eleitoral oficial atualizado. Juntas, as duas localidades concentram mais de 1,25 milhão de votos expressivos. Elas representam, respectivamente, o terceiro e o quarto maiores colégios eleitorais fluminenses.
A movimentação política também impõe novos desafios à articulação do PL no estado. Após o afastamento de Lisboa, a Federação União Progressista declarou neutralidade na disputa. Para contornar a crise, Douglas Ruas escolheu a vereadora niteroiense Fernanda Louback como nova vice. Para o Senado, a chapa do PL apostou nos nomes de Carlos Portinho e Carlos Jordy.
O apoio de Lisboa consolida-se enquanto Eduardo Paes lidera com vantagem nas pesquisas de intenção de voto. Especialistas avaliam que o movimento reflete o desgaste na construção inicial da chapa bolsonarista. O cientista político Bruno Kazuhiro aponta que a aliança de Douglas Ruas sofreu forte enfraquecimento. Segundo Kazuhiro, a migração de Lisboa para o palanque adversário evidencia perdas expressivas de apoio. O analista destaca ainda a capilaridade política do ex-prefeito na crucial Baixada Fluminense.
Com gestões bem avaliadas, o grupo de Lisboa possui forte apelo popular em Nova Iguaçu. A entrada de novos aliados amplia a competitividade da campanha de Paes na reta decisiva. O cenário aponta para uma disputa cada vez mais polarizada no território fluminense.








