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Rússia acusa fundador do Telegram de facilitar terrorismo e emite mandado internacional de prisão

Durov já havia sido preso na França, em agosto de 2024

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O Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB) informou nesta quarta-feira (29) que acusou o fundador e CEO do Telegram, Pavel Durov, de facilitar atividades terroristas e emitiu um mandado internacional para sua prisão.

Pouco após o anúncio, a conta oficial do Telegram na rede social X publicou uma imagem de Durov fazendo um gesto obsceno com o dedo médio. Até a última atualização, nem o empresário nem a plataforma haviam se manifestado oficialmente sobre as acusações.

Durov já havia sido preso na França, em agosto de 2024, mas foi libertado poucos dias depois. Seu paradeiro atual não foi divulgado.

Criado em 2013, o Telegram afirma ter mais de 1 bilhão de usuários e é amplamente utilizado tanto por russos quanto por ucranianos durante a guerra entre os dois países.

Nos últimos anos, o governo do presidente Vladimir Putin intensificou as tentativas de restringir o uso da plataforma na Rússia e passou a incentivar o uso do aplicativo estatal Max. Apesar disso, órgãos oficiais, como o Kremlin e o Ministério da Defesa, continuam utilizando o Telegram para divulgar informações diariamente.

Nascido na Rússia e atualmente com cidadania dos Emirados Árabes Unidos e da França, Pavel Durov também é fundador da rede social VKontakte, considerada o equivalente russo ao Facebook. Ele vendeu sua participação na empresa em 2014, após pressão das autoridades russas.

Além das acusações feitas pela Rússia, Durov também é investigado na França por suposta falta de cooperação com autoridades e por não adotar medidas suficientes para combater atividades criminosas na plataforma. O empresário nega qualquer irregularidade.

O anúncio do FSB ocorre meses após a imprensa estatal russa noticiar que Durov era alvo de uma investigação relacionada ao terrorismo. Em abril, o executivo afirmou que uma intimação havia sido entregue a um antigo endereço onde morou na Rússia.

Na ocasião, escreveu que as autoridades deveriam suspeitar dele por defender a liberdade de expressão e o direito à privacidade garantidos pela Constituição russa. Em publicações recentes no Telegram, Durov informou que esteve em Dubai e, posteriormente, na Geórgia, onde disse esperar retornar em breve.