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Saiba os livros que Bolsonaro e aliados podem ler para reduzir a pena

Lista oficial do DF define títulos que permitem remição de até 44 dias por ano

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Reprodução

O ex-presidente Jair Bolsonaro e outros condenados no caso da trama golpista podem recorrer à leitura para diminuir o tempo de pena. O benefício segue a política de remição por leitura adotada no Distrito Federal, já reconhecida pelo Conselho Nacional de Justiça, e exige autorização do ministro Alexandre de Moraes para ser aplicado ao grupo.

Pelas regras, cada obra lida e avaliada reduz quatro dias da pena. O DF autoriza até 11 leituras anuais, o que representa um abatimento máximo de 44 dias. Antes, Moraes já havia concedido remição ao ex-deputado Daniel Silveira, que somou dias reduzidos por leitura, estudo e trabalho no regime semiaberto.

Somente livros presentes na lista oficial da Secretaria de Educação do DF podem ser usados. A seleção reúne obras sobre democracia, desigualdades, direitos humanos, ditadura militar, além de clássicos da literatura mundial e distopias que discutem regimes autoritários. Obras que incentivem violência ou discriminação são proibidas.

Entre os títulos disponíveis estão biografias, romances históricos, distopias consagradas e textos que discutem cidadania e representatividade. Os relatórios produzidos pelos detentos passam por avaliação técnica feita por professores exclusivos da rede, que validam autoria, clareza e capacidade de síntese.

O programa Ler Liberta, criado em 2018 e estruturado como política pública desde 2021, ampliou a adesão anual. No DF, cada unidade prisional conta com um professor responsável, além de uma comissão de supervisão pedagógica. O número de livros lidos cresce a cada ano e reforça o papel da leitura como instrumento de educação e transformação.

Alguns dos livros permitidos para remição:

  • “A autobiografia de Martin Luther King”, de Martin Luther King

  • “A cor do preconceito”, de Carmen Lúcia Campos e Sueli Carneiro

  • “A cor púrpura”, de Alice Walker

  • “Admirável mundo novo”, de Aldous Huxley

  • “A revolução dos bichos”, de George Orwell

  • “Becos da memória”, de Conceição Evaristo

  • “Canção para ninar menino grande”, de Conceição Evaristo

  • “Cartas de uma menina presa”, de Débora Diniz

  • “Crime e castigo”, de Fiódor Dostoiévski

  • “Democracia”, de Philip Bunting

  • “Futuro ancestral”, de Ailton Krenak

  • “Guerra e paz”, de Liev Tolstói

  • “Incidente em Antares”, de Érico Veríssimo

  • “Malala: A Menina Que Queria Ir para a Escola”, de Adriana Carranca

  • “Na minha pele”, de Lázaro Ramos

  • “Não verás país nenhum”, de Ignácio de Loyola Brandão

  • “O conto da aia”, de Margaret Atwood

  • “O perigo de uma história única”, de Chimamanda Ngozi Adichie

  • “O príncipe”, de Nicolau Maquiavel

  • “O sol é para todos”, de Harper Lee

  • “Pequeno manual antirracista”, de Djamilla Ribeiro

  • “Presos que menstruam”, de Nana Queiroz

  • “Tudo é rio”, de Carla Madeira

  • “Um defeito de cor”, de Ana Maria Gonçalves

  • “Zumbi dos Palmares”, de Luiz Galdino

  • “1984”, de George Orwell

  • “1968: o ano que não terminou”, de Zuenir Ventura