As secas na Bacia do Rio Paraíba do Sul poderão ficar mais longas e severas nas próximas décadas. Em algumas áreas, períodos de estiagem que historicamente duram meses poderão se aproximar de dois anos até o fim deste século, segundo estudo realizado por pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).
Um dos cenários mais preocupantes foi identificado em Paraibuna, na parte alta da bacia. A duração média das secas, que no período histórico analisado era de cerca de oito meses, pode chegar a 1,82 ano, ou quase 22 meses, entre 2061 e 2100, em um dos cenários climáticos avaliados.
Segundo os pesquisadores, as estiagens não necessariamente devem ocorrer com maior frequência. A tendência apontada é de eventos mais espaçados, mas com duração e intensidade maiores.
A Bacia do Paraíba do Sul é estratégica para o abastecimento do Sudeste. O rio e seus afluentes atravessam áreas de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, e suas águas também são transferidas para outros sistemas, como o Guandu, que abastece a Região Metropolitana do Rio.
Impacto no abastecimento do Rio
Outro ponto de atenção é a barragem de Santa Cecília, em Barra do Piraí, no Sul Fluminense. É nessa região que parte da água do Paraíba do Sul é desviada para o sistema Guandu.
No cenário de maiores emissões de gases de efeito estufa analisado pelo estudo, o índice de severidade das secas na região pode subir de 7,92, no período histórico, para 58,46 no fim do século.
O indicador considera tanto a duração da estiagem quanto o déficit acumulado de chuva. Quanto maior o índice, mais prolongada e intensa é a seca.
Os pesquisadores ressaltam, porém, que as projeções representam tendências climáticas, e não a previsão de uma seca específica. Os resultados estão sujeitos às incertezas dos modelos e aos diferentes cenários futuros de emissões.
Planejamento
Para os autores, o cenário reforça a necessidade de antecipar medidas de segurança hídrica. Entre as ações citadas estão a revisão das regras de operação dos reservatórios, o fortalecimento do monitoramento, a redução de perdas de água, a diversificação das fontes de abastecimento e a criação de planos de contingência.
Os pesquisadores também destacam que a vulnerabilidade da região não depende apenas das mudanças climáticas. O aumento da demanda por água, a poluição, o uso inadequado do solo e a degradação dos mananciais também podem reduzir a capacidade de resposta do sistema diante de estiagens prolongadas.
A pesquisa indica, portanto, que uma bacia responsável direta ou indiretamente pelo abastecimento de mais de 20 milhões de pessoas poderá enfrentar um novo cenário de risco nas próximas décadas, com secas menos frequentes, mas potencialmente muito mais duradouras e severas.








