A segurança pública tem se consolidado como um dos principais temas das disputas eleitorais na América Latina. Levantamento do cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), mostra que 70% das eleições realizadas na região desde 2023 tiveram o combate à criminalidade e ao crime organizado como eixo central das campanhas.
Das 19 eleições analisadas, 13 resultaram na vitória de candidatos que defenderam políticas de endurecimento penal e restauração da ordem pública. Segundo o pesquisador, em muitos casos o voto dos eleitores se transformou em uma espécie de plebiscito sobre a capacidade do Estado de enfrentar a violência.
O estudo não incluiu Venezuela, Cuba e Nicarágua, devido a questionamentos sobre seus processos eleitorais.
De acordo com Medeiros, a reeleição do presidente salvadorenho Nayib Bukele, em 2024, consolidou a segurança pública como ativo eleitoral na região. O modelo de combate às gangues adotado em El Salvador passou a inspirar candidatos em diversos países, como Colômbia e Costa Rica.
O levantamento aponta ainda que o tema ganhou relevância em campanhas no Chile, Bolívia, Equador e Honduras, refletindo a crescente preocupação dos eleitores com violência, tráfico de drogas e atuação de organizações criminosas.
No Brasil, a segurança pública também vem ganhando espaço no debate eleitoral para 2026. Para o pesquisador, o tema, ao lado da corrupção, tende a influenciar a agenda dos candidatos nos próximos meses por estar associado à percepção de ineficiência do Estado no enfrentamento de problemas considerados prioritários pela população.










