O Shopping Tijuca, na Zona Norte do Rio, reabre as portas nesta sexta-feira, 12 dias após o incêndio que provocou a morte de dois brigadistas e levou à interdição total do centro comercial. Segundo a administração, a retomada das atividades será gradual e facultativa, já que parte dos lojistas ainda reorganiza estoques e equipes após o período de fechamento.
O subsolo onde o fogo teve início e a área correspondente no primeiro piso permanecem interditados pelo Corpo de Bombeiros. De acordo com as autoridades, as condições do local ainda não permitem o acesso seguro das equipes técnicas, o que também impede a conclusão da perícia da Polícia Civil.
Áreas liberadas e restrições mantidas
Segundo o secretário de Estado de Defesa Civil e comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, coronel Tarciso Antonio de Salles Junior, os sistemas de segurança contra incêndio e pânico do shopping estão em funcionamento. Ele explicou que a liberação vale apenas para as áreas que não foram atingidas diretamente pelo incêndio.
“Há uma interdição restrita à área onde ocorreu o incêndio. Nos demais espaços, os sistemas foram verificados e estão operantes, o que permitiu o funcionamento do shopping. Já o subsolo segue interditado porque houve destruição e o local ainda está impraticável”, afirmou ao Globo.
Perícia ainda não foi concluída
Para a Polícia Civil, a liberação do subsolo é fundamental para a conclusão da perícia, que deve esclarecer a origem do incêndio. Enquanto isso não ocorre, os investigadores seguem ouvindo testemunhas e analisando se os protocolos de segurança e evacuação foram adotados corretamente no momento do incidente.
Entre os pontos apurados estão a eventual demora para acionar o Corpo de Bombeiros, o cumprimento dos procedimentos de evacuação e possíveis irregularidades na loja Bell’Art, onde o fogo teria começado. A polícia também investiga se a administração do shopping poderia ter adotado medidas preventivas adicionais.
Relatório apontava riscos antes do incêndio
Um relatório de vistoria elaborado dias antes do incêndio alertava para a presença de materiais combustíveis em áreas técnicas, detectores de fumaça inoperantes e produtos armazenados acima do limite permitido pelos sprinklers. O documento foi produzido em 27 de dezembro pelo supervisor Anderson Aguiar do Prado e pela brigadista Emellyn Silva Aguiar Menezes, que morreram durante o combate inicial às chamas.
A loja Bell’Art ainda não se pronunciou oficialmente. Um representante prestou depoimento à polícia nesta semana, e outros brigadistas devem ser ouvidos nos próximos dias.
Relembre o caso
O incêndio ocorreu no início da noite do dia 2, e os quartéis da Tijuca e de Vila Isabel foram acionados às 18h28. Anderson Aguiar do Prado morreu após dar entrada no Hospital Municipal Souza Aguiar, enquanto Emellyn Silva Aguiar Menezes foi retirada do local já sem vida, possivelmente vítima de inalação de fumaça. Outras três pessoas ficaram feridas.






