Em meio ao cenário de devastação provocado por uma das maiores tragédias recentes na região do Himalaia, equipes de resgate encontraram duas pessoas com vida dez dias após o desastre que atingiu áreas do Nepal próximas à fronteira com o Tibete. Os resgates, realizados neste sábado (5), reacenderam a esperança de localizar outros sobreviventes.
Uma das sobreviventes é Chandika Shrestha, de 64 anos, encontrada com vida no andar superior de uma casa destruída pelas enchentes em Betrawati, na região de Nuwakot. Segundo as autoridades nepalesas, parte da estrutura permaneceu de pé e teria protegido a mulher da força da lama, da água e dos detritos. Ela foi retirada pelos militares e levada de helicóptero para tratamento em Katmandu.
Também neste sábado, equipes de emergência resgataram um cidadão chinês, identificado como Lu Haitao, que estava preso em um túnel de cerca de 225 metros do projeto hidrelétrico Upper Trishuli-1, na região de Rasuwa. Ele apresentava sinais de hipotermia, mas foi levado a um hospital militar e, segundo as primeiras informações, estava em condição estável.
Os novos resgates ocorrem depois que outros dois trabalhadores, Sanjay Sah e Kabir Maharjan, foram retirados com vida, na sexta-feira (4), de um túnel da usina hidrelétrica Upper Trishuli 3A. Os dois haviam permanecido presos por nove dias após a catástrofe.
O desastre começou em 26 de agosto, quando o colapso de uma geleira provocou uma violenta onda de água, gelo, rochas e lama, que devastou comunidades e instalações hidrelétricas ao longo da região do rio Trishuli.
O número de vítimas continua sendo atualizado. Dados divulgados neste sábado indicam pelo menos 1.344 mortos no Nepal, enquanto milhares de pessoas ainda estão desaparecidas. No Tibete, autoridades também registraram dezenas de mortes e centenas de desaparecidos.
As operações de busca continuam em condições extremamente difíceis. Parte dos esforços está concentrada em túneis de projetos hidrelétricos atingidos pela enxurrada, onde centenas de trabalhadores podem ter ficado presos. Equipes internacionais e forças de segurança nepalesas seguem mobilizadas na tentativa de localizar sobreviventes.
Os resgates registrados nos últimos dois dias trouxeram um novo alento às famílias dos desaparecidos, embora as autoridades alertem que o trabalho é complexo e que as condições nas áreas atingidas continuam perigosas.








