Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) discutem uma estratégia para organizar as informações que relacionam integrantes da Corte ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master.
Segundo reportagem de Bela Megale, de O Globo, o assunto foi tratado em reunião na semana passada com o presidente do STF, Edson Fachin. A ideia em discussão é fazer uma espécie de triagem do material obtido nas investigações, separando questões de natureza administrativa ou funcional de situações que, em tese, possam ter repercussão penal. Agenda do Poder
A proposta também permitiria analisar separadamente os diferentes episódios que envolvem ministros e familiares de integrantes do Supremo.
Julgamento foi interrompido
O tema ganhou força após o STF começar a analisar, em 15 de setembro, uma questão relacionada às investigações baseadas em informações extraídas do celular de Vorcaro.
O plenário discutia se os procedimentos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça deveriam ser analisados conjuntamente. O ministro Flávio Dino pediu vista, e o STF não chegou a examinar o mérito da petição relacionada a Moraes. Notícias STF+1
Na sessão, o placar provisório era de 4 votos a 3 pela análise separada dos casos, mas a questão ficou suspensa após o pedido de vista. Folha de S.Paulo
Vídeo aumenta repercussão envolvendo Moraes
A divulgação de um vídeo mostrando Alexandre de Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, desembarcando de um avião ligado a Vorcaro, em agosto de 2025, ampliou a repercussão do caso.
Reportagens também apontaram mensagens e documentos analisados pela Polícia Federal que registram contatos entre Moraes e Vorcaro. O ministro nega irregularidades e afirma que não julgou processos relacionados ao ex-banqueiro ou ao Banco Master. Folha de S.Paulo+1
O escritório de Viviane Barci de Moraes afirmou que contratou serviços de táxi aéreo e sustentou que Vorcaro não estava nos voos.
Familiares de ministros também aparecem nas mensagens
O material apreendido pela Polícia Federal também menciona familiares de integrantes do STF.
Entre os casos citados está Kevin Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques. Segundo informações divulgadas sobre as mensagens, o nome do advogado aparece associado a uma indicação de pagamentos mensais de R$ 500 mil. Kevin nega ter prestado serviços ao Banco Master ou recebido dinheiro de Vorcaro e afirma que recebeu R$ 281,6 mil por serviços jurídicos prestados a outra empresa.
Também aparecem referências a Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux. O escritório Fux Advogados afirmou que não prestou serviços nem recebeu valores de Vorcaro, do Banco Master ou de empresas relacionadas ao grupo.
O próprio Nunes Marques declarou, durante a sessão do STF, que seu filho nunca prestou serviços ao Banco Master nem foi remunerado pelo banco. Agência Brasil
Outros ministros são citados
Gilmar Mendes também aparece no contexto do caso. Vorcaro esteve no STF com o ministro em abril de 2024 para tratar de uma disputa do setor sucroalcooleiro. Segundo informações divulgadas, posteriormente Gilmar votou contra uma posição que interessava ao Banco Master. O gabinete do ministro afirmou que o encontro ocorreu em ambiente institucional, com a presença de advogados.
Dias Toffoli também teve seu nome associado a episódios envolvendo o grupo de Vorcaro. O ministro se declarou suspeito para participar do julgamento relacionado a Moraes. Agência Brasil
Já André Mendonça aparece no material por sua atuação como relator de procedimentos relacionados ao caso Banco Master. A atuação do ministro também é alvo de questionamentos dentro da própria Corte. O STF marcou para 23 de setembro a análise de pedido relacionado à sua conduta. Agência Brasil
Objetivo é organizar as informações
A discussão interna no Supremo, segundo o relato publicado por O Globo, é estabelecer critérios uniformes para analisar os diferentes episódios, distinguindo relações pessoais ou profissionais de fatos que possam justificar uma apuração formal.
A estratégia de triagem ainda está em discussão e não significa, por si só, que as situações mencionadas constituam irregularidades ou crimes. As pessoas citadas negam irregularidades nos episódios em que seus nomes aparecem.








