Ouça agora

Ao vivo

Reproduzir
Pausar
Sorry, no results.
Please try another keyword
MetrôRio terá operação 24h durante o Carnaval 2026
Carnaval
MetrôRio terá operação 24h durante o Carnaval 2026
Câmara aprova urgência para quebra de patente de canetas para diabetes e obesidade
Brasil
Câmara aprova urgência para quebra de patente de canetas para diabetes e obesidade
Polícia Federal é comunicado sobre possível fuga de Oruam do Brasil
Geral
Polícia Federal é comunicado sobre possível fuga de Oruam do Brasil
Ação pede bloqueio de bens de Cláudio Castro e aliados no caso Cedae-Master
Política
Ação pede bloqueio de bens de Cláudio Castro e aliados no caso Cedae-Master
Pesquisa mostra que Brasil é um dos países que mais acham Trump bom para o mundo
Mundo
Pesquisa mostra que Brasil é um dos países que mais acham Trump bom para o mundo
Após 20 dias de chuva, prefeito alerta para risco de deslizamentos e pede atenção no Rio
Rio de Janeiro
Após 20 dias de chuva, prefeito alerta para risco de deslizamentos e pede atenção no Rio
Brasil permanece entre os piores colocados no ranking global da corrupção
Brasil
Brasil permanece entre os piores colocados no ranking global da corrupção

STF reconhece racismo estrutural e impõe medidas ao Estado

Corte fixa obrigações e dá prazo para revisão do Plano de Igualdade Racial

Siga-nos no

Reprodução

O Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu, nesta quinta-feira (18), a existência de racismo estrutural no Brasil e determinou a adoção de medidas para enfrentar violações de direitos da população negra. O julgamento analisou se há omissão do Estado brasileiro nesse combate e resultou na imposição de novas obrigações ao Poder Executivo.

A decisão foi tomada no julgamento da ADPF 973, encerrado com os votos dos ministros Gilmar Mendes e do presidente da Corte, Edson Fachin. A ação foi proposta por partidos políticos que apontaram violações sistemáticas de direitos fundamentais da população negra em áreas como vida, saúde, segurança pública e alimentação.

O relator, ministro Luiz Fux, inicialmente defendeu o reconhecimento do chamado “estado de coisas inconstitucional”, caracterizado por violações massivas e persistentes de direitos. No entanto, ao final do julgamento, reajustou seu voto, entendendo que, apesar da gravidade do quadro, a existência de políticas públicas já adotadas ou em curso impede o reconhecimento formal desse estado jurídico.

Essa posição foi acompanhada pelos ministros Cristiano Zanin, André Mendonça, Nunes Marques, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Para esse grupo, embora haja violações graves, elas não configuram, juridicamente, o estado de coisas inconstitucional.

Por outro lado, os ministros Flávio Dino, Edson Fachin e Cármen Lúcia votaram pelo reconhecimento da omissão estatal sistêmica. Em seu voto, Fachin afirmou que o racismo estrutural no Brasil atende aos quatro critérios exigidos para esse reconhecimento: violação generalizada de direitos, persistência histórica, insuficiência de soluções individuais e necessidade de atuação coordenada de diversos órgãos do Estado.

Segundo o presidente do STF, essas violações são contínuas e têm raízes no período escravocrata, agravadas pelo chamado mito da democracia racial, que teria invisibilizado o racismo e dificultado a adoção de políticas reparatórias. Para Fachin, essa escolha histórica contribuiu para a manutenção de profundas desigualdades sociais e econômicas.

Apesar da divergência sobre o enquadramento jurídico, a Corte determinou uma série de medidas práticas. Entre elas, está a obrigação de o Poder Executivo revisar o Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Planapir) ou elaborar um novo plano, com metas e prazos definidos, no prazo máximo de 12 meses.

O plano deverá abranger áreas como saúde, segurança alimentar, segurança pública, proteção da vida, além de políticas de caráter reparatório e de preservação da memória da população negra. O cumprimento das medidas será acompanhado e fiscalizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Durante o julgamento, Fux destacou que políticas como o sistema de cotas raciais são relevantes, mas insuficientes para enfrentar a dimensão estrutural do problema. Segundo ele, é necessário atacar as origens das desigualdades, presentes em áreas como educação, saneamento, moradia, segurança e oportunidades de ascensão social.

A decisão também estabelece diretrizes para setores específicos. Na educação, prevê a capacitação de professores para o ensino da história e da cultura afro-brasileira. No sistema de Justiça, aponta a necessidade de protocolos de atendimento voltados à população negra em tribunais, Ministérios Públicos, Defensorias e forças de segurança.

A ADPF 973 foi julgada no contexto da programação especial do STF para a Semana da Consciência Negra, iniciada em 26 de novembro, e reforça o reconhecimento institucional de que o racismo estrutural segue sendo um dos principais desafios do Estado brasileiro.