Ouça agora

Ao vivo

Reproduzir
Pausar
Sorry, no results.
Please try another keyword
Datafolha mostra Lula com 42% no primeiro turno e 48% no segundo contra Flávio
Política
Datafolha mostra Lula com 42% no primeiro turno e 48% no segundo contra Flávio
Morre aos 59 anos Lito Sousa, influenciador e piloto que enfrentava doença rara
Destaque
Morre aos 59 anos Lito Sousa, influenciador e piloto que enfrentava doença rara
Benedita da Silva sobre castração química: “daqui a pouco vão propor enforcamentos em praça pública”
Eleições 2026
Benedita da Silva sobre castração química: “daqui a pouco vão propor enforcamentos em praça pública”
Operação do MPRJ mira ex-secretária estadual de educação por suspeita de desvio de recursos
Estado
Operação do MPRJ mira ex-secretária estadual de educação por suspeita de desvio de recursos
Datafolha mostra Benedita com 19% na disputa pelo Senado no Rio
Eleições 2026
Datafolha mostra Benedita com 19% na disputa pelo Senado no Rio
Datafolha: Paes mantém liderança e Ruas a segunda posição na disputa pelo governo do Rio
Política
Datafolha: Paes mantém liderança e Ruas a segunda posição na disputa pelo governo do Rio
Linha Amarela é fechada após roubo de carga na Maré
Rio de Janeiro
Linha Amarela é fechada após roubo de carga na Maré
2804-prefni-banner-saedas-728x90
2804-prefni-banner-saedas-728x90
previous arrow
next arrow

STF reconhece racismo estrutural e impõe medidas ao Estado

Corte fixa obrigações e dá prazo para revisão do Plano de Igualdade Racial

Siga-nos no

Reprodução

O Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu, nesta quinta-feira (18), a existência de racismo estrutural no Brasil e determinou a adoção de medidas para enfrentar violações de direitos da população negra. O julgamento analisou se há omissão do Estado brasileiro nesse combate e resultou na imposição de novas obrigações ao Poder Executivo.

A decisão foi tomada no julgamento da ADPF 973, encerrado com os votos dos ministros Gilmar Mendes e do presidente da Corte, Edson Fachin. A ação foi proposta por partidos políticos que apontaram violações sistemáticas de direitos fundamentais da população negra em áreas como vida, saúde, segurança pública e alimentação.

O relator, ministro Luiz Fux, inicialmente defendeu o reconhecimento do chamado “estado de coisas inconstitucional”, caracterizado por violações massivas e persistentes de direitos. No entanto, ao final do julgamento, reajustou seu voto, entendendo que, apesar da gravidade do quadro, a existência de políticas públicas já adotadas ou em curso impede o reconhecimento formal desse estado jurídico.

Essa posição foi acompanhada pelos ministros Cristiano Zanin, André Mendonça, Nunes Marques, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Para esse grupo, embora haja violações graves, elas não configuram, juridicamente, o estado de coisas inconstitucional.

Por outro lado, os ministros Flávio Dino, Edson Fachin e Cármen Lúcia votaram pelo reconhecimento da omissão estatal sistêmica. Em seu voto, Fachin afirmou que o racismo estrutural no Brasil atende aos quatro critérios exigidos para esse reconhecimento: violação generalizada de direitos, persistência histórica, insuficiência de soluções individuais e necessidade de atuação coordenada de diversos órgãos do Estado.

Segundo o presidente do STF, essas violações são contínuas e têm raízes no período escravocrata, agravadas pelo chamado mito da democracia racial, que teria invisibilizado o racismo e dificultado a adoção de políticas reparatórias. Para Fachin, essa escolha histórica contribuiu para a manutenção de profundas desigualdades sociais e econômicas.

Apesar da divergência sobre o enquadramento jurídico, a Corte determinou uma série de medidas práticas. Entre elas, está a obrigação de o Poder Executivo revisar o Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Planapir) ou elaborar um novo plano, com metas e prazos definidos, no prazo máximo de 12 meses.

O plano deverá abranger áreas como saúde, segurança alimentar, segurança pública, proteção da vida, além de políticas de caráter reparatório e de preservação da memória da população negra. O cumprimento das medidas será acompanhado e fiscalizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Durante o julgamento, Fux destacou que políticas como o sistema de cotas raciais são relevantes, mas insuficientes para enfrentar a dimensão estrutural do problema. Segundo ele, é necessário atacar as origens das desigualdades, presentes em áreas como educação, saneamento, moradia, segurança e oportunidades de ascensão social.

A decisão também estabelece diretrizes para setores específicos. Na educação, prevê a capacitação de professores para o ensino da história e da cultura afro-brasileira. No sistema de Justiça, aponta a necessidade de protocolos de atendimento voltados à população negra em tribunais, Ministérios Públicos, Defensorias e forças de segurança.

A ADPF 973 foi julgada no contexto da programação especial do STF para a Semana da Consciência Negra, iniciada em 26 de novembro, e reforça o reconhecimento institucional de que o racismo estrutural segue sendo um dos principais desafios do Estado brasileiro.