O Supremo Tribunal Federal deu um novo passo nesta quinta-feira ao tornar públicas as investigações conduzidas pela Polícia Federal que colocam sob suspeita o senador Jaques Wagner (PT-BA). Ex-líder do governo no Senado, o parlamentar baiano é apontado pelos investigadores como peça-chave em uma trama de favorecimento ao Banco Master.
Os novos documentos aprofundam o cenário revelado publicamente em 18 de junho, data em que o senador foi alvo de mandados de busca e apreensão durante a nona fase da Operação Compliance Zero. No centro das apurações estão suspeitas de corrupção, fraudes financeiras e tráfico de influência dentro do Poder Legislativo. O principal elo que conecta o senador ao núcleo do Banco Master é o banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro na instituição financeira.
De acordo com o relatório da Polícia Federal, foram identificadas nada menos do que 74 ligações telefônicas entre Jaques Wagner e Augusto Lima. Para os investigadores, o intenso volume de contatos — iniciados de forma mais sistemática a partir de outubro de 2023 — comprova uma relação de forte proximidade e alinhamento de interesses entre os investigados.
As apurações indicam que Wagner teria atuado de forma direta como articulador político do banco no Senado Federal, defendendo pautas de interesse da instituição, a exemplo da medida que tratava da ampliação da margem para empréstimos consignados, tema de alto interesse comercial para o Master. Em contrapartida a essa suposta atuação nos bastidores do Congresso, o senador teria sido beneficiado com vantagens indevidas expressivas. O material investigativo aponta que a contrapartida financeira e patrimonial incluiu a entrega de um apartamento avaliado em 2,45 milhões de reais localizado em Salvador, na Bahia, além de repasses que totalizam 3,5 milhões de reais destinados a empresas ligadas a familiares do parlamentar.
O relatório da Polícia Federal detalha ainda o cotidiano dessa relação por meio de mensagens de texto e conversas interceptadas. Em um dos episódios citados, Augusto Lima convida o senador e seus familiares para um passeio na Ilha da Paixão, litoral baiano, oferecendo inclusive uma aeronave particular para o transporte do político e de seus entes queridos. Outro ponto que chama a atenção dos investigadores envolve mensagens extraídas do telefone do próprio Daniel Vorcaro, datadas de julho de 2024.
Nas conversas, o ex-banqueiro comenta com um interlocutor que a suposta proximidade do Banco Master com o governo federal funcionava como uma ferramenta estratégica de marketing para a instituição. Vorcaro orienta que essa percepção seja propagada junto ao presidente Lula e aos parlamentares da base aliada.
Na sequência da troca de mensagens, o interlocutor responde mencionando diretamente o senador e outro investigado: “Vou mandar então pra tio guiga e Jaques”, fazendo referência ao parlamentar e a Guilherme Sodré, apontado como amigo de Jaques Wagner.
Com a publicidade dos autos determinada pelo STF, o caso ganha novos contornos e promete movimentar os debates políticos em Brasília, enquanto a defesa dos citados segue acompanhando os desdobramentos das apurações no âmbito do Supremo.








