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Supremo descreve Bolsonaro como líder de organização criminosa armada

Documento diz que o ex-presidente liderou estrutura criminosa entre 2021 e 2023

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O Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou nesta quarta-feira (22) o acórdão do julgamento que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes. O texto descreve o ex-presidente como líder de uma organização criminosa armada criada para restringir a atuação do Judiciário e impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva, eleito em 2022.

Segundo o STF, a estrutura criminosa operou entre julho de 2021 e 8 de janeiro de 2023, envolvendo membros do governo federal e das Forças Armadas. O documento afirma que Bolsonaro usou a máquina pública para implementar um projeto autoritário de poder, recebendo apoio de integrantes do alto escalão.

A publicação do acórdão abre prazo de cinco dias para que as defesas de Bolsonaro e dos demais condenados apresentem embargos de declaração — recurso destinado a esclarecer pontos do julgamento.

De acordo com o documento, o grupo montado por Bolsonaro tinha divisão de funções e estabilidade de atuação. Entre os nomes citados estão Alexandre Ramagem, Anderson Torres, Augusto Heleno, Mauro Cid, Paulo Sérgio Nogueira, Braga Netto e Almir Garnier.

O texto afirma que esses aliados atuaram de forma coordenada para criar condições políticas e institucionais que possibilitassem uma ruptura democrática.

A estratégia, segundo o STF, foi desacreditar o sistema eleitoral e os tribunais por meio de ataques coordenados, ameaças e desinformação. O objetivo seria preparar o terreno para um golpe, caso Bolsonaro não fosse reeleito.

O tribunal ressalta que os atos de 8 de janeiro de 2023 representaram o ponto culminante de um processo planejado e sustentado pelo poder político.

A Primeira Turma do STF condenou Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

Com o acórdão publicado, o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, decidirá se analisará os recursos individualmente ou se levará o caso novamente à Primeira Turma para deliberação.