O avanço do surto de ebola na África Central elevou o nível de alerta entre autoridades sanitárias internacionais. A Agência de Saúde da União Africana (África CDC) informou que dez países africanos estão sob risco de disseminação da doença, enquanto a República Democrática do Congo (RDC) segue como epicentro da epidemia.
Segundo o presidente da África CDC, Jean Kaseya, a velocidade de propagação do vírus exige resposta coordenada entre governos e organismos internacionais de saúde. O alerta foi divulgado neste sábado (23/05), durante coletiva de imprensa sobre o agravamento do cenário sanitário na região.
Os países considerados mais vulneráveis ao avanço do ebola são Sudão do Sul, Ruanda, Quênia, Tanzânia, Etiópia, Congo, Burundi, Angola, República Centro-Africana e Zâmbia.
A epidemia de ebola na República Democrática do Congo já provocou mais de 200 mortes entre os 867 casos suspeitos registrados no país, segundo balanço divulgado neste sábado (23) pelo Ministério da Saúde congolês.
De acordo com as autoridades de saúde, 204 mortes foram contabilizadas até o momento em três províncias afetadas pelo avanço da doença. Na véspera, a Organização Mundial da Saúde (OMS) havia informado 177 mortes e cerca de 750 casos suspeitos.
O atual surto é considerado um dos mais graves já registrados no país e envolve a variante Bundibugyo do vírus ebola, uma cepa rara para a qual ainda não existe vacina aprovada oficialmente.
O vírus provoca febre hemorrágica altamente letal e já matou mais de 15 mil pessoas em diferentes surtos ocorridos no continente africano nas últimas décadas. Apesar da gravidade, especialistas destacam que a transmissão ocorre com menos facilidade do que em doenças respiratórias, como Covid-19 e sarampo.
A situação se tornou ainda mais delicada porque o surto atual envolve a variante Bundibugyo, uma cepa rara do ebola que ainda não possui vacinas ou tratamentos oficialmente aprovados. Segundo especialistas, a identificação do vírus demorou semanas porque os primeiros exames buscavam detectar uma cepa mais comum da doença, o que atrasou o diagnóstico e contribuiu para a disseminação da infecção.
Diante do avanço dos casos, a OMS classificou recentemente o surto como emergência de saúde pública de interesse internacional. As medidas adotadas até o momento incluem rastreamento de contatos, isolamento de casos suspeitos e reforço da vigilância epidemiológica.
No leste do Congo, moradores já relatam aumento na procura por máscaras e produtos desinfetantes. Organizações humanitárias e equipes médicas também intensificaram as operações em áreas consideradas críticas para impedir que a doença ultrapasse as fronteiras congolesas.
O virologista Jean-Jacques Muyembe informou que o país aguarda o envio de doses experimentais de vacinas desenvolvidas pela Universidade de Oxford. Os imunizantes devem chegar por meio de cooperação com Estados Unidos e Reino Unido para testes contra a variante Bundibugyo.
Apesar da preocupação regional, a OMS avalia que o risco de disseminação global ainda é considerado baixo. Mesmo assim, o cenário segue sendo monitorado com atenção por autoridades internacionais, principalmente devido à circulação do vírus em cidades populosas, como Goma.










