O aumento de 50% nas tarifas sobre produtos brasileiros anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode causar um impacto de R$ 123 milhões no Produto Interno Bruto (PIB) fluminense, segundo a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). A medida deve atingir 2% das exportações do estado, que é hoje a segunda unidade da federação que mais vende para o mercado americano.
Os principais itens exportados pelo Rio — petróleo, ferro e aço — ficaram de fora do novo tarifaço. Produtos siderúrgicos já haviam sido sobretaxados em junho. Desta vez, os setores mais afetados devem ser alimentos e bebidas, borracha, plástico, químicos, têxteis e pescados.
Para a economista Cristina Helena de Mello, o efeito nos preços ainda é incerto. No curto prazo, a necessidade de escoar estoques pode até reduzir valores, mas, no médio prazo, a depreciação cambial e o encarecimento de importações podem pressionar custos.
A coordenadora de Relações Internacionais da Faculdade Mackenzie Rio, Fernanda Brandão Martins, sugere que exportadores busquem novos mercados para reduzir a dependência dos EUA. Já a Fecomércio RJ defende ampliar a oferta interna e investir em programas como o “Made in Rio” para fortalecer a agenda exportadora.
Segundo a Firjan, 48 municípios fluminenses venderam para o mercado americano em 2024 e podem sentir os efeitos. Os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil e principal investidor estrangeiro no país, com superavit de US$ 7 bilhões no ano passado.
O impacto também preocupa o mercado de trabalho. Pesquisa da Firjan mostra que 60% dos empresários esperam queda de receitas, aumento de custos e redução de exportações no curto prazo, e 42% temem ter de demitir funcionários. De acordo com Gustavo Coimbra Costa, diretor da LHH Brasil, as novas tarifas já estão afetando a abertura de vagas.