Um intenso tiroteio transformou o Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, em um cenário de guerra desde a madrugada desta quarta-feira (1º). O tiroteio entre policiais militares do 7º BPM e criminosos locais durou mais de seis horas, provocando pânico na população e paralisando serviços essenciais de saúde e educação na cidade. Até o momento, a Polícia Militar realiza buscas na região e não divulgou um balanço oficial sobre prisões, feridos ou materiais apreendidos.
O clima de terror começou nas primeiras horas do dia e o estrondo dos disparos de armas de alto calibre pôde ser ouvido em bairros vizinhos como Nova Cidade, Colubandê e Mutuá. Nas redes sociais, moradores compartilharam imagens de barricadas em chamas e relataram a angústia de enfrentar o fogo cruzado na rotina matinal. Em um dos desabafos, uma internauta destacou a gravidade da situação ao afirmar que a guerra já durava horas, enquanto outra mãe relatou o desespero de ver o marido sair para trabalhar em meio aos tiros, pedindo proteção para os inocentes.
A violência impactou diretamente o atendimento público no município. Por recomendação de segurança, a Prefeitura de São Gonçalo suspendeu o funcionamento das Unidades de Saúde da Família David Capistrano, Salgueiro, Carlos Chagas, Palmeiras 2, Neuza Goulart, Albert Sabin e Itaúna 1. No setor educacional, as escolas municipais João Saldanha, Salgado Filho, Marinheiro Marcílio Dias, Professora Niuma Goulart Brandão e a Umei Professora Natalina Muniz de Oliveira cancelaram todas as atividades do turno da manhã.
O Complexo do Salgueiro é uma das principais fortalezas do Comando Vermelho no estado, chefiado há mais de duas décadas por Antônio Ilário Ferreira, o “Rabicó”, de 61 anos. O traficante é conhecido por ordenar roubos de cargas e veículos na BR-101 e por adotar táticas de extorsão semelhantes às de milícias para diversificar a renda da facção. Para escapar das autoridades, Rabicó vive cercado por homens armados e recorre a procedimentos estéticos frequentes para modificar suas feições faciais.
O poder financeiro da organização criminosa na localidade tem sido alvo de asfixia por parte das forças de segurança. Em maio deste ano, uma megaoperação da Polícia Civil desarticulou um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou R$ 453 milhões provenientes do tráfico. A quadrilha utilizava empresas de reciclagem, ferros-velhos de fachada, contas bancárias de passagem e notas fiscais falsas para legalizar o capital. A ação terminou com mais de 20 presos, incluindo Raquel Neves dos Santos Mendonça, companheira de Rabicó.
O episódio desta quarta-feira se soma a um histórico recente e violento na comunidade. Em março, uma moradora perdeu a vida após ser atingida por uma bala perdida durante uma emboscada sofrida por policiais militares em uma área de mata. Enquanto as operações continuam na região para tentar restabelecer a ordem, a população local segue refém de uma rotina de incertezas e medo.










