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Toffoli libera depoimentos da PF sobre caso Banco Master

Ministro do STF retira sigilo de relatos de executivos e amplia transparência sobre investigação envolvendo o BRB

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Foto: Reprodução

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a divulgação dos depoimentos prestados à Polícia Federal por executivos envolvidos no caso do Banco Master, que apura possíveis fraudes financeiras e uma tentativa de venda da instituição ao BRB. A decisão atende a um pedido do Banco Central e amplia a transparência sobre um caso que pode gerar impacto bilionário no sistema financeiro.

Os depoimentos tornados públicos foram prestados no fim de dezembro pelos banqueiros Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), e por Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central. As oitivas foram conduzidas pela delegada da Polícia Federal Janaína Palazzo, antes da acareação entre os empresários determinada pelo próprio Toffoli.

Durante o depoimento, Ailton de Aquino alertou que a reserva financeira que o BRB teria de constituir para cobrir perdas relacionadas ao Banco Master pode se aproximar de R$ 5 bilhões, segundo revelou a Folha de S.Paulo. A informação reforça a dimensão do risco financeiro envolvido na operação.

Na decisão, Toffoli destacou que a retirada do sigilo se limita exclusivamente aos depoimentos já colhidos. O inquérito que apura o caso Master permanece em segredo de Justiça, ao menos até manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Conversas com governador e problemas de caixa

Em seu depoimento à PF, Daniel Vorcaro afirmou que manteve mais de uma conversa com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, sobre a possibilidade de venda do Banco Master ao BRB. O banqueiro também admitiu a existência de problemas de caixa na instituição.

Segundo Vorcaro, o modelo de negócios do Master estava fortemente baseado no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo sustentado por recursos do próprio sistema financeiro para proteger depositantes em caso de quebra de instituições bancárias.

Já Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, declarou à Polícia Federal que a operação envolvendo o Banco Master ocorria em um momento de substituição de ativos da instituição privada. Segundo ele, era necessário “ganhar tempo” para realizar esse processo, em sua função de “zelar pelo BRB”.

A explicação foi dada após questionamento da PF sobre uma anotação encontrada na agenda da ex-diretora de Controle e Riscos do BRB, Luana Andrade Ribeiro. De acordo com os investigadores, o registro indicaria que Costa teria determinado a compra de carteiras para salvar o Banco Master, sob risco de colapso da instituição controlada por Vorcaro.